domingo, 28 de junho de 2015

Fazer nada

Há duas semanas meu psicólogo me disse que eu teria que parar e analisar a minha vida, pois ele não poderia me ajudar se eu não soubesse qual é o meu problema. No final das contas é isso: eu não sei o meu problema, o que eu sei é que me odeio e me sinto mal.

Ele disse que quase sempre há uma causa para as coisas que a gente faz e sente, mas até agora eu nãos sei exatamente o foi que me fez ficar assim. Disse isso com a maior honestidade e sem tentar esconder o meu passado já que eu quero melhorar, mas eu não sei o que me dá tanta angústia. Da última vez que conversamos eu disse que talvez as minhas relações familiares que não foram muitos boas durante muito tempo tenham desencadeado numa piora (ou extinção) da minha autoestima que é quase zero. Mas eu também falei pra ele que sei que muita gente teve um passado pior que o meu, então se é esse o meu problema por que isso me afetou tanto ao ponto de eu não conseguir ter uma vida normal? Talvez tenha algo a mais sobre mim que eu não saiba, eu preciso descobrir porque me odeio tanto e gostaria de morrer ou trocar de vida (doce fantasia essa última).

Meu psicólogo me disse que eu realmente não tenho condições de trabalhar agora, já que eu tô uma pilha de nervos e estou com medo de começar a mostrar pras pessoas que eu estou ficando "doido". Ele falou que eu preciso pegar um tempo pra mim e me analisar o que me deixa tão mal e começar a trabalhar essa(s) coisa(s) específica(s). Mais uma vez, o problema é que eu não sei exatamente o que é, as minhas crises depressivas muitas vezes vêm do nada. Eu tenho sintomas de ansiedade quase que metade do meu dia (sensação de falta de ar, roer unhas, mãos geladas...) mas muitas vezes sem pensar em nada, pelo menos não conscientemente. Sinto que os sintomas e a minha sensação de ser um lixo já estão tão dentro de mim que eu não preciso mais de causas pra me sentir mal, simplesmente me sinto. Isso me dói muito, queria uma solução imediata e não mais meses de terapia.

Tenho medo de passar mais algum tempo e eu continuar sem ao menos saber o que precisaria trabalhar com mais profundidade na terapia. Também gostaria muito de sair de casa pois esse ambiente não me faz bem, mas sem dinheiro fica difícil.

Não sei.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Tempo

O tempo nunca vai voltar, todos esses anos que eu já perdi não vão mudar. Uma das maiores tristezas da vida é saber que não há nenhuma segunda chance, nenhuma. Não dá pra viver de novo, fantasiar uma vida que não se tem não resolve nada, isso só me coloca ainda mais pra baixo. Eu daria qualquer coisa pra nascer de novo, talvez sendo outra pessoa a minha história até aqui fosse diferente.

Essas pessoas que nascem e vivem felizes, elas só tiveram uma chance e deu tudo certo. Que sorte.

domingo, 31 de maio de 2015

Sobrevivência


Ontem eu estava navegando pela internet e me deparei com essa música da Emeli Sandé, é uma cantora britânica. A letra me chamou muita atenção, pois eu acho que fala exatamente de uma das coisas que mais me fazem ver o mundo de maneira ruim: o fato das pessoas serem capazes de fazer qualquer coisa mesmo que no fundo não queiram.

"Oh heaven, oh heaven
I wait with good intentions
But the day it always lasts too long"


Eu acredito que as pessoas querem ser boas de alguma maneira, mas nesse mundo que a gente vive isso é muito difícil. A maioria das pessoas só pensa em si para sobreviver e no final das contas parece que é assim que precisa ser. Quando eu paro para olhar as ações das pessoas só vejo individualismo e luta pela sobrevivência escancarada mesmo. Esse mundo não é para os bonzinhos. Talvez seja por isso que eu quase não tenho amigos, no final as pessoas sempre revelam suas verdadeiras faces, é difícil confiar.

sábado, 16 de maio de 2015

Telespectador da vida real

Constantemente sinto que não faço parte desse mundo. Tem alguma coisa erra comigo. É como se tudo que está acontecendo estivesse passando num filme e eu só consigo assistir, distante, como se tudo aquilo fosse de mentira ou não fosse pra mim. Não consigo me sentir parte disso tudo, na verdade eu gostaria muito de saber como a maioria das pessoas conseguem viver a vida delas sem perceber o quanto essa vida é ruim. Por que parece que só eu sinto esse mal-estar? Não me sinto em sincronia com o mundo. Às vezes me sinto até menos humano.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Remédios e emprego, só frustração

Já fazem duas semanas que tenho tomado anti depressivos. Na primeira semana achei os resultados fantásticos. Apesar de ainda ter meu sintomas físicos causados pela ansiedade que aparecem sem motivo algum, estava sentindo uma melhora. Quando tenho crises de ansiedade geralmente tenho suor frio (minhas mãos e pés ficam gelados) e fico muito confuso mentalmente. Porém, o pior sintoma e o que mais me incomodou durante esses anos todos sempre foi a minha falta de ar. Minha depressão, ansiedade e esse último sintoma sempre estiveram muito ligados, basta um pensamento ruim e por algumas razão meus pulmões começam a falhar. Diria que passo 30% do meu dia sentido esse sintoma em maior ou menor grau, eu já entrei em pânico por causa disso várias vezes.

Na primeira semana que comecei o tratamento com os remédios fiquei extremamente feliz com os resultados. Ao invés de passar várias horas por dia com esse sintoma, estava tendo uma crise todo os dias (geralmente pela manhã) e depois conseguia passar o dia normal. Achei incrível, fantástico, eu já tinha esquecido como era aquela sensação de bem-estar por um dia quase inteiro. Meus sintomas físicos e a minha tristeza sempre foram tão ligados que eu sinceramente achava que depressão era isso mesmo e que qualquer pessoa deprimida se sente daquela forma, hoje eu vejo que não é, é essa maldita ansiedade que sempre me fez isso. Acho que cada um sabe o que sente, mas depois que passei alguns dias relativamente bem acho que posso falar que poucas pessoas entenderiam como eu me sinto na maior parte do dia, pelo menos julgando por esses fóruns nos quais eu sempre postei. Esses sintomas me derrubam fisicamente mesmo, acho que teria uma qualidade de vida muito melhor se eles desaparecessem.

Pois bem, o início de tratamento me deixou muito animado, mas parece que tudo o que é bom dura pouco. Na primeira semana eu notava que os remédios meio que me sedavam um e, talvez por amenizarem os sintomas no meu corpo, me deixavam menos desesperado e aí eu não me sentia tão triste. Porém, conforme os dias foram passando, notei que não estava sentindo mais nada, esse semana voltou tudo como era antes e hoje tive mais uma crise forte devido a uma entrevista de emprego.

Já acordei extremamente ansioso, com a maldita falta de ar. No caminho para a empresa aí que tudo ficou pior, quase surtei, pensei em voltar pra casa, quase fiz isso. Nem preciso dizer que com aquela cara fui chutado da dinâmica de grupo logo na primeira parte. Foi só olhar pra cara dos outros candidatos e a desenvoltura com que eles falavam pra eu ficar com a cara no chão. Eu sempre me acho o pior de todos, mas já fazia muito tempo que não participava de uma seleção, só serviu pra me lembrar o quanto eu me odeio tanto profissionalmente (nem eu me contrataria) quando na minha vida pessoal. Acho que remédio nenhum vai conseguir me fazer esquecer disso por muito tempo.

Acho que cantei vitória cedo demais com essas pílulas. Vou falar com o meu psiquiatra na próxima consulta, espero sinceramente que ele me dê uma droga bem forte pois quanto menos eu esqueço que existo melhor eu fico.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Começando com os remédios

Bom, fiquei muito tempo sem postar nada, isso foi porque passei os últimos 5 meses muito mal. Estou desempregado e sem perspectivas de arranjar nada num futuro próximo. Percebo que a grande maioria das pessoas conseguem empregos por relações sociais, quer dizer, "fulano que conhece ciclano está procurando alguém, me dá o teu currículo" e coisas do tipo. Pra mim, que não tem nenhum tipo de vida social, só resta enviar currículos que muitas vezes se perdem num mar de gente que quer a mesma coisa.

Pra quem não sabe (acho que eu nem cheguei a falar isso) eu nunca havia me tratado com nenhum tipo de medicamente, principalmente porque não queria que meus pais soubessem dessa minha situação. Só que infelizmente eu já não aguentava mais e depois desses anos todos acabei contando pra eles que me sentia mal pra caralho todos os dias e isso era uma coisa que tava me matando. Acabei que deixei eles meio que acreditando que isso tudo tem a ver com o fato de eu estar desempregado, mas na verdade tem a ver com coisas mais profundas, eu só não queria dizer pra eles que me odeio e sempre me odiei porque fiquei com medo de chocá-los. Além disso, eles já estão meio velhos, não merecem isso. Além disso, depois de sessões com uma psicóloga eu meio que sei que parte da minha tristeza foi agravada por problemas familiares, então contar isso pra eles só os deixariam infelizes depois de tantos anos cuidando de mim.

Então semana passada contei sobre o meu problema pra eles, os fiz prometer que não vão falar absolutamente nada sobre isso para os meus irmãos. Ontem finalmente tomei coragem e fui finalmente a um psiquiatra, foi muito constrangedor, pois por mais que as pessoas falem que é só um médico eu ainda fico pensando a que ponto eu cheguei pra precisar de remédios. É vergonhoso, eu sinto vergonha. Porém, depois de ter quase um ataque de pânico na rua e uma crise perturbadora que me fez pensar demais em suicídio eu decidi que estava na hora. Acho que é a única coisa que eu posso fazer.

Comecei a tomar 10 mg de Scitalax todas as noites. Não sei exatamente o que esperar, confesso que a essa altura só queria alguma coisa pra me dopar mesmo e me fazer dormir o dia inteiro, mas o psiquiatra disse que isso aí pode fazer eu me sentir melhor durante o dia. Não tenho muita esperança não, mas vamos ver.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Conselheiros do Youtube

    Recentemente, comecei a reparar na quantidade de canais no Youtube cuja única finalidade é dar conselhos sobre a vida. "Pare de se ...