quarta-feira, 24 de junho de 2026

Saí com uma mulher que não tem redes sociais

    Encontrei no Tinder, claro.

    Conversa vai, conversa vem, ela acha que eu sou um psicopata e eu acho que ela é um fake. Marcamos de nos vermos porque, aparentemente, os dois eram doidos. Doidos de doidice mesmo e doidos para encontrar outra pessoa alheia à loucura que virou a internet.

    Ela me disse que deletou tudo há uns seis anos. Terminou com o namorado. Começou deletando uma foto, foi deletando, foi deletando, e deletou mais uma foto, e mais uma... e por que não deletar a porra toda? Deletou tudo e nunca olhou para trás. Mora com os pais e trabalha no setor administrativo de uma construtora. Em determinado momento olhei o papel de parede do celular, não tinha selfie, era só um gato. 32 anos. Pensei em várias viagens que poderíamos fazer juntos pelo simples prazer de pegar um avião e sair pelo mundo, sem compromisso nenhum de dizer para onde fomos. Seria essa minha esposa em uma timeline alternativa no multiverso? Talvez uma amante, vai saber?

    Digo para ela porque sou também um fantasma na sociedade, conversamos por umas duas horinhas, tomando açaí, ela paga o dela (é ou não é para casar?), não rola nada e vamos para casa, cada um segue o seu rumo. Dois trintões sozinhos, cada um tomando o seu rumo. Imagino que ela quer casar e ter filhos, mas não perguntei. Que bom que eu não perguntei, ela perguntaria de volta, eu seria sincero e a noite seria estragada. Não teve beijo, não levei ela para o meu apartamento, não teve nada, mas foi a melhor saída desse ano. Conversar com interesse genuíno nas pessoas é muito bom.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Eu e a tal da solidão

    A maioria das vezes que reclamei de não ter amigos não foi por causa da falta de companhia e da solidão. Meu descontentamento, na verdade, se dava por me comparar muito com os outros. "Se todos têm amigos, por apenas eu não tenho?" Ninguém quer ser anormal.

    Eu preciso de poucos amigos, talvez apenas um ou talvez até nenhum. Posso estar errado, mas me parece que conversar com conhecidos de vez em quando geralmente parece me bastar. Hoje eu aprecio a solitude. Se ficar sozinho não me traz malefícios, então qual o problema?

    Falo com um amigo (que só agora entendo que é um amigo) uma vez a cada dois ou três meses no Whatsapp e pronto, já estou preparado para ficar mais uns quatro sem contato nenhum com ninguém a não ser minha família. Não me sinto mais anormal, não mais acho que estou perdendo alguma coisa e não me sinto mal por isso.

    Manter amizades é um trabalho hercúleo e eu sei que eu dificilmente abrirei minha vida para outra pessoa com a facilidade que vejo as pessoas abrirem as delas. Eu não me sinto bem em abrir 100¨% da minha vida para ninguém: nem minha família, nem interesse amoroso e nem amigo nenhum. Dito isso, enquanto escrevo, me pergunto se estou sendo sincero ou se estou apenas tentando me enganar para lidar com uma certa inaptidão para a coisa. Acho que pode ser isso, acho pode não ser. O que eu sei é, nesse momento, me sinto muito lúcido e confortável.

Conselheiros do Youtube

    Recentemente, comecei a reparar na quantidade de canais no Youtube cuja única finalidade é dar conselhos sobre a vida. "Pare de se ...