segunda-feira, 22 de junho de 2026

Eu e a tal da solidão

    A maioria das vezes que reclamei de não ter amigos não foi por causa da falta de companhia e da solidão. Meu descontentamento, na verdade, se dava por me comparar muito com os outros. "Se todos têm amigos, por apenas eu não tenho?" Ninguém quer ser anormal.

    Eu preciso de poucos amigos, talvez apenas um ou talvez até nenhum. Posso estar errado, mas me parece que conversar com conhecidos de vez em quando geralmente parece me bastar. Hoje eu aprecio a solitude. Se ficar sozinho não me traz malefícios, então qual o problema?

    Falo com um amigo (que só agora entendo que é um amigo) uma vez a cada dois ou três meses no Whatsapp e pronto, já estou preparado para ficar mais uns quatro sem contato nenhum com ninguém a não ser minha família. Não me sinto mais anormal, não mais acho que estou perdendo alguma coisa e não me sinto mal por isso.

    Manter amizades é um trabalho hercúleo e eu sei que eu dificilmente abrirei minha vida para outra pessoa com a facilidade que vejo as pessoas abrirem as delas. Eu não me sinto bem em abrir 100¨% da minha vida para ninguém: nem minha família, nem interesse amoroso e nem amigo nenhum. Dito isso, enquanto escrevo, me pergunto se estou sendo sincero ou se estou apenas tentando me enganar para lidar com uma certa inaptidão para a coisa. Acho que pode ser isso, acho pode não ser. O que eu sei é, nesse momento, me sinto muito lúcido e confortável.

Eu e a tal da solidão

     A maioria das vezes que reclamei de não ter amigos não foi por causa da falta de companhia e da solidão. Meu descontentamento, na verda...