Encontrei no Tinder, claro.
Conversa vai, conversa vem, ela acha que eu sou um psicopata e eu acho que ela é um fake. Marcamos de nos vermos porque, aparentemente, os dois eram doidos. Doidos de doidice mesmo e doidos para encontrar outra pessoa alheia à loucura que virou a internet.
Ela me disse que deletou tudo há uns seis anos. Terminou com o namorado. Começou deletando uma foto, foi deletando, foi deletando, e deletou mais uma foto, e mais uma... e por que não deletar a porra toda? Deletou tudo e nunca olhou para trás. Mora com os pais e trabalha no setor administrativo de uma construtora. Em determinado momento olhei o papel de parede do celular, não tinha selfie, era só um gato. 32 anos. Pensei em várias viagens que poderíamos fazer juntos pelo simples prazer de pegar um avião e sair pelo mundo, sem compromisso nenhum de dizer para onde fomos. Seria essa minha esposa em uma timeline alternativa no multiverso? Talvez uma amante, vai saber?
Digo para ela porque sou também um fantasma na sociedade, conversamos por umas duas horinhas, tomando açaí, ela paga o dela (é ou não é para casar?), não rola nada e vamos para casa, cada um segue o seu rumo. Dois trintões sozinhos, cada um tomando o seu rumo. Imagino que ela quer casar e ter filhos, mas não perguntei. Que bom que eu não perguntei, ela perguntaria de volta, eu seria sincero e a noite seria estragada. Não teve beijo, não levei ela para o meu apartamento, não teve nada, mas foi a melhor saída desse ano. Conversar com interesse genuíno nas pessoas é muito bom.
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