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Eu sabia que essa semana ia acabar assim mesmo, na verdade eu não sei como isso não aconteceu há alguns dias atrás quando escrevi minha última postagem. Coração acelerado, suando frio, falta de ar, tontura, confusão mental... passei mal no meio da entrevista de emprego e deixei a pessoa que me recebeu sem entender nada.
- Desculpa, eu não tô me sentindo bem.
- Está nervoso? Passando bem? Não se preocupe, só estamos
conversando. Quer uma água?
- Não, eu acho que vou embora, desculpa. E vou pela porta
apressado.
Saio do estabelecimento meio que sem saber o que fazer, minha
garganta e barriga doíam, é adrenalina demais. Tinha uma praça na frente, eu
vou procurar um lugar pra sentar (ou tombar). Jogo a mochila em cima do banco e
sento olhando pro chão, tentando respirar, não dá certo. Tento todas as
posições que conheço e percebo que sentado fico pior. Levanto e tento fazer
algum exercício de respiração... “Essa merda nunca funciona comigo!”. Não tem
outro jeito: pego o celular com as minhas mãos geladas e ligo pro meu pai, digo
que estou passando mal e queria que ele me buscasse. E esperar foi a pior
parte. Fiquei lá sofrendo por uns 20 minutos, pensando em um monte de coisas
que já escrevi aqui. Minha cabeça sabe trazer tudo de ruim que eu penso pra
esse momento, vou lembrando de várias situações, cada uma pior do que a outra.
Penso também no que vou fazer quando chegar em casa, meus remédios acabaram. Ir pra emergência? Estava decidido, só
esperaria meu pai chegar pra me levar, queria um sedativo, qualquer coisa.
Na hora a gente acha que vai morrer e quando isso acontece é
nisso mesmo que eu penso: morrer logo de uma vez, acabar logo essa palhaçada. É
assim que eu me sinto: um palhaço, acordando todo dia pra ver a vida rindo de
mim e nessas crises esse sentimento é multiplicado por 10. É um desejo que nem
dá pra explicar, é impulsivo mas é feroz, parece a hora perfeita pra dar um fim
e, por alguns instantes, parece que vale muito a pena. Depois da crise eu fico assustado
com as coisas que eu penso mas é isso aí que vem na minha cabeça.
A falta de ar e a cabeça não dão trégua. Sento e levanto do
banco várias vezes pra ver se faz alguma diferença. Nada muda. Resolvo deitar e
olhar pro céu e aí respiro um pouco melhor. E finalmente meu cérebro começa a
funcionar melhor: “Ao menos não estou mais fazendo a entrevista, poderia estar
pior. Pelo menos não estou mais lá dentro.” Percebo que esse pensamento me
ajuda e continuo tentando focar nele. “Mas eu pareci um idiota na frente da
moça, nunca vou conseguir um emprego”, minha ansiedade sobe. “Eu nunca mais vou vê-la mesmo”, minha ansiedade
desce. E fico assim por um bom tempo pensando sobre um monte de coisas sobre
mim, uma montanha-russa.
Meu pai nem me ligou pra saber onde eu estava, ele já sabia
que provavelmente estaria tentando me acalmar ali. Olha pra minha cara e
pergunta se eu quero ir pro hospital. Eu vou, deixo meu pai explicar a situação e eles me dão um sedativo, finalmente tenho vontade de dormir. Depois de algumas horas decido ir pra casa.
Fui ao psiquiatra novamente e fiz questão de pedir alguma coisa pra dormir, de volta ao Lioram e Bromazepam. Tomei uma dose alta agora, ainda me sinto um lixo, mas pelo menos meu corpo se acalmou.
Fui ao psiquiatra novamente e fiz questão de pedir alguma coisa pra dormir, de volta ao Lioram e Bromazepam. Tomei uma dose alta agora, ainda me sinto um lixo, mas pelo menos meu corpo se acalmou.




