Desde que comecei o meu tratamento com medicamentos, achei que nada daria certo. Já escrevi como a frustração dos antidepressivos/ansiolíticos não funcionarem por muito tempo me derrubava cada vez mais. Há mais ou menos um mês meu psiquiatra adicionou um remédio chamado Paxtrat no meu tratamento, pesquisando vi que é a famosa Paroxetina. Depois de uma primeira semana altamente nervosa, cheia de pensamentos suicidas (ler uma postagem mais abaixo se quiserem), tenho me sentido um pouco melhor ao ponto de não ter crises de falta de ar. Ainda tenho sintomas da ansiedade, mas estão bem menores.
O negócio é que, às vezes, tem dias que a minha ansiedade fica enterrada e só me vem um vazio (talvez?) que nunca fui acostumado. Já passei muitas noites em claro por conta da ansiedade, mas agora passo noites em claro sentindo nada. Pode parecer estranho, mas acho que, pela primeira vez em muitos anos, eu consigo sentir tédio ou uma sensação de inércia que é nova pra mim. Geralmente, ficar quieto significava mergulhar num mar de desespero mental e físico, mas agora tenho dias que não sinto absolutamente nada, nem tristeza, nem alegria. Fico me perguntando se isso é o estado "normal" das pessoas quando não estão fazendo nada, alguém aí sabe dizer se é mesmo? Eu juro que não sei. Acho que das duas, é uma: ou é uma sensação nova pra mim ou é algo que faz tempo tempo que senti (talvez quando era criança) que nem lembro mais como é.
Essa semana, deitado e olhando pro teto me perguntei "É isso o que as pessoas chamam de vazio ou será o contrário? O vazio é a eterna angustia?". Até imaginei algumas respostas, mas preferi aproveitar o momento, a essa altura acho que não ter emoção nenhuma uma é coisa boa, a coisa mais próxima da letargia.
terça-feira, 24 de maio de 2016
terça-feira, 17 de maio de 2016
Reconhecer-se humano
Não tem nada a ver com falta de compaixão ou psicopatia, é só que boa parte do tempo tenho esse sentimento de não pertencimento que me impede de criar muitas conexões com as outras pessoas. Na maioria das vezes, acho que é uma incômodo inconsciente que se manifesta com a minha ansiedade, mas tem horas que eu paro pra pensar e reflito sobre isso: eu me sinto menos humano que os outros.
É difícil explicar, talvez eu até saiba, mas acho que hoje não tô muito afim de me alongar, nem sei se quero escrever mais de alguns parágrafos. Porém, tenha essa sensação principalmente quando converso com alguém ou quando estou cercado por muita gente ao mesmo tempo. Me parece que ter um cérebro, um coração e um sistema nervoso central não me fazem um ser humano, me sinto incompleto. Me sinto inferior por isso também.
Não sei se é a ansiedade, a minha falta de experiências na vida ou outros problemas externos, já cheguei a pensar que meu defeito é não ter qualquer instinto de sobrevivência como eu vejo por aí. Sei lá. Sei que tem alguma coisa que não deixa que eu me veja como um ser humano normal, queria descobrir o que é.
É difícil explicar, talvez eu até saiba, mas acho que hoje não tô muito afim de me alongar, nem sei se quero escrever mais de alguns parágrafos. Porém, tenha essa sensação principalmente quando converso com alguém ou quando estou cercado por muita gente ao mesmo tempo. Me parece que ter um cérebro, um coração e um sistema nervoso central não me fazem um ser humano, me sinto incompleto. Me sinto inferior por isso também.
Não sei se é a ansiedade, a minha falta de experiências na vida ou outros problemas externos, já cheguei a pensar que meu defeito é não ter qualquer instinto de sobrevivência como eu vejo por aí. Sei lá. Sei que tem alguma coisa que não deixa que eu me veja como um ser humano normal, queria descobrir o que é.
domingo, 24 de abril de 2016
Suicídio
Fui mais uma vez ao psiquiatra, já sem muita esperança pois parece que esses meus sentimentos ruins não saem de mim. Enfim, fui lá e praticamente supliquei por ajuda, o negócio é que abri o jogo com ele, não estava (estou) mais aguentando as crises depressivas e ansiosas.
Ele me passou Bromazepam de novo, outro ansiolítico e antidepressivo chamado Paxtrat e o tal do Rivotril pra casos de emergência.
Ontem à noite tive outra crise muito forte. Primeira coisa que faço é tomar o Rivotril. Efeito aparente? Pouquíssimo, continuo sentindo mal estar no meu corpo. Resisto algumas horas. Algumas horas depois tomo o Bromazepam e o Paxtrat, penso comigo que não seria possível que eu não me acalmasse ou apagasse na cama depois de tanto remédio. Me acalmo? Não!
Tentei dormir, mas fiquei me lembrando do que fez a minha ansiedade começar e isso não me deixou ter sono de jeito nenhum. Mesmo depois desse coquetel de remédios, não durmo desde ontem. Me sinto um merda completo, minha cabeça não para de falar isso pra mim.
Essa é mais uma postagem que venho escrever pra ver se me distraio ou evito fazer idiotices. Nessas horas eu penso muito em suicídio, muito mesmo. Depois de tanta crise e de não ver efeitos da medicação do jeito que você quer, o o que você quer é se matar mesmo, dar um tiro na cabeça, coisa rápida e indolor (na maioria das vezes é essa a cena que eu fico fantasiando).
Merda, eu não quero viver assim. O psiquiatra disse que pensamentos suicidas podem ocorrer nas primeiras semanas com o uso desse Paxtrat e que é preciso esperar um tempo pra ver algum resultado, até entendo mas isso me mata por dentro. Já tomei outros remédios que não funcionaram e parece que nunca vai ter jeito pra mim. Tem horas que a agonia é tão forte que a luz no fim do túnel parece ser preta mesmo. Eu queria uma solução ou alguma coisa parecida. Não quero acordar amanhã (se conseguir dormir) e já começar o dia pensando em me matar. Tô cansado.
Ele me passou Bromazepam de novo, outro ansiolítico e antidepressivo chamado Paxtrat e o tal do Rivotril pra casos de emergência.
Ontem à noite tive outra crise muito forte. Primeira coisa que faço é tomar o Rivotril. Efeito aparente? Pouquíssimo, continuo sentindo mal estar no meu corpo. Resisto algumas horas. Algumas horas depois tomo o Bromazepam e o Paxtrat, penso comigo que não seria possível que eu não me acalmasse ou apagasse na cama depois de tanto remédio. Me acalmo? Não!
Tentei dormir, mas fiquei me lembrando do que fez a minha ansiedade começar e isso não me deixou ter sono de jeito nenhum. Mesmo depois desse coquetel de remédios, não durmo desde ontem. Me sinto um merda completo, minha cabeça não para de falar isso pra mim.
Essa é mais uma postagem que venho escrever pra ver se me distraio ou evito fazer idiotices. Nessas horas eu penso muito em suicídio, muito mesmo. Depois de tanta crise e de não ver efeitos da medicação do jeito que você quer, o o que você quer é se matar mesmo, dar um tiro na cabeça, coisa rápida e indolor (na maioria das vezes é essa a cena que eu fico fantasiando).
Merda, eu não quero viver assim. O psiquiatra disse que pensamentos suicidas podem ocorrer nas primeiras semanas com o uso desse Paxtrat e que é preciso esperar um tempo pra ver algum resultado, até entendo mas isso me mata por dentro. Já tomei outros remédios que não funcionaram e parece que nunca vai ter jeito pra mim. Tem horas que a agonia é tão forte que a luz no fim do túnel parece ser preta mesmo. Eu queria uma solução ou alguma coisa parecida. Não quero acordar amanhã (se conseguir dormir) e já começar o dia pensando em me matar. Tô cansado.
segunda-feira, 11 de abril de 2016
O menino e as conchas quebradas
Sábado de manhã e a casa, que quase todo ano parece sem
vida, finalmente está alegre.
- Vamos acordando ou a gente não chega cedo!- grita a mãe.
Os irmãos mais novos acordam na hora, o mais velho também. O
irmão do meio, por algum motivo, não dormiu bem, tem problemas com o sono, sabe
mais ou menos o por quê mas aquela altura não conseguia compreender direito.
Compreenderia mais tarde, lá pros seus 20 anos de idade, mais isso já é outra
história.
Na época o irmão do meio tinha 13 ou 14, vai lembrar? O
negócio é que mesmo cansado acordou. Tomou banho, se vestiu, comeu alguma coisa
e entrou no carro com todo mundo, menos com o pai que não gostava desse tipo de
coisa. Uma hora depois estavam todos no mar. Dia de praia.
Não era um dia muito comum pra ninguém, a família que
parecia sem vida, realmente gostava da praia. A mãe não ficava sentada olhando, ia com todo mundo pro mar brincar e mesmo o irmão do meio, o mais
desanimado, corria direto pra água sempre que a via. Imaginava um dia chegar
até o “quebra-mar” de recifes bem mais adiante. Não sabia nadar tão bem, então
às vezes ficava só olhando, às vezes bolava planos, era como chegar em Marte. O
mar era um fascínio.
- Vamos catar umas conchas, ali tem umas bonitas! - disse a mãe.
Todos se sentaram em uma parte rasa da água e começaram a
procurar. O irmão mais velho não ficou nem por cinco minutos, viu algo mais
interessante e logo saiu. O mais novo logo ficou entediado, foi fazer um
castelo de areia ou outra coisa (mais uma vez, vai lembrar?). E a menina mais
novinha ainda o seguiu. Ficaram a mãe e o irmão do meio procurando “tesouro”.
Ela preferia colocar a mão embaixo da areia fofa mesmo e
levantá-la, vez ou outra vinha uma concha inteira.
- Olha essa! Peguei uma – ela dizia toda hora.
Já ele preferia ficar
de pé, procurar com os olhos alguma coisa que a maré alta poderia ter deixado.
Isso funcionava. Às vezes via alguma coisa diferente por perto, se abaixava e
pegava. E foi assim por alguns minutos, talvez meia hora. Ele andando e ela
parada.
- Olha, mãe, o que eu achei - e ele estendeu as mãos com
várias conchas e pedras pra ela.
- Que bom, deixa eu ver – disse ela.
- Essas aqui você vai jogar fora, não é? – continuou. - Olha
as que eu peguei, nem um risco, você tem várias que estão quebradas, joga isso
fora, menino.
O irmão do meio olhou pra mãe e depois olhou pras conchas.
Não queria se desfazer de nada, via tudo muito bonito mesmo os pedaços de corais
que, aparentemente, não tinham nada a ver com a tarefa.
- Eu não vou jogar nada fora, nem as conchas quebradas –
disse ele.
- Por que não? - ela perguntou. – Tem tanta concha bonita e
completa aqui. Por que você não fica só com elas?
E ele respondeu: “Eu gosto das conchas quebradas. Ninguém
quer as conchas quebradas. Ninguém na praia vai ficar com elas, então eu quero.
São legais também, mas ninguém quer catar” – disse ele- mostrando uma com uma
rachadura bem grande no meio.
- Você não acha que você merece o melhor, a concha mais
bonita do mundo, meu filho?- Ela perguntou.
- Não sei mãe, as que a senhora pegou são bonitas, mas
nenhuma é igual as minhas. São legais porque são quebradas e se eu não
pegá-las, quem vai pegar?.
- Tá bom, leve suas conchas então – ela falou sem nem
retrucar.
A imperfeição das conchas quebradas era algo com que ele se sentia parecido ou era aceitação de que nem tudo é perfeito? Muitos anos depois ele
tentaria entenderia melhor e até escreveria sobre isso
quarta-feira, 30 de março de 2016
Sem ousadia, sem talento, sem emprego
Semana passada me bateu um desespero pelo fato de estar desemprego há tanto tempo que mandei um email para uma pessoa que conheci quando estava estagiando. É uma pessoa com muita experiência e bagagem de vida. Não mandei email pedindo emprego, só queria conversar um pouco, até mencionei que queria uma "luz" pois já não sabia o que fazer.
Ela me recebeu muito bem e tirou horas do trabalho dela pra falar comigo, não fiquei surpreso pois é uma daquelas pessoas bastante generosas, mas acho que mesmo assim ela não entendeu muito bem a minha situação. Não queria chegar falando que estou momento mais baixo da minha vida e isso tem me atrapalhado em arranjar alguma coisa, então me detive a falar sobre o mercado de trabalho (que também está muito complicado por aqui).
Inúmeras entrevistas, seleções... expliquei tudo pra ela e ficamos discutindo o fato de eu nunca ser selecionado. Ela me disse uma coisa óbvia e que eu já sabia: minha falta de networking. Devido às circunstâncias, não conheci muita gente para me indicar pra nada e mesmo as que conheci até hoje evitei tentar alguma coisa. Por quê? Não sei, talvez por vergonha mesmo de pedir, talvez por orgulho ou talvez por achar que não mereço nada mesmo. Na verdade é assim que eu vou pra essas entrevistas, já vou achando que o selecionador não deveria me escolher pois sou incompetente no que faço. A coisa mais contraditória.
O fato é que minhas chances são reduzidas já que o meu circulo social é reduzido, não conheço quase ninguém e a pessoa com a qual conversei me disse que isso, definitivamente, é um grande problema. Só com muita sorte pra conseguir alguma coisa mandando currículo pra vagas que você vê na internet ou jornais ainda mais uma pessoa sem experiência formal. Mas até agora é só o que tenho feito, além de vez ou outra distribuir currículos sem esperança pessoalmente em alguns locais. Mas de novo. são só currículos, ninguém me conhece.
Ela também me falou que eu estou desesperadamente em busca de um emprego (formal), mas que trabalho ainda existe. Na minha área, na situação atual, eu teria que ser uma pessoa mais ousada e procurar alternativas... resumindo: tentar coisas que eu não sei se consigo fazer ou que acho que não tenho capacidade.
Saí de lá até com algumas ideias mas que não sei se sairiam do papel já que não sei por onde começar direito e, pra ser sincero, não acredito muito em mim, não mais.
Eu não sei, eu não tenho esse instinto de sobrevivência ou ambições na vida. Às vezes, parece que só estou esperando morrer mesmo (tive essa nítida sensação voltando no ônibus). Se fosse uma pessoa que realmente quisesse se dar bem acho que me daria. Só não sei até que ponto isso é falta de oportunidade, sorte, ousadia, competência ou um estado mental razoavelmente legal que me faça parar pra pensar em alguma coisa.
Só pra constar: mais uma vez meus remédios parecem ter parado de funcionar como deveriam. Novo recorde: 1 mês e meio.
Ela me recebeu muito bem e tirou horas do trabalho dela pra falar comigo, não fiquei surpreso pois é uma daquelas pessoas bastante generosas, mas acho que mesmo assim ela não entendeu muito bem a minha situação. Não queria chegar falando que estou momento mais baixo da minha vida e isso tem me atrapalhado em arranjar alguma coisa, então me detive a falar sobre o mercado de trabalho (que também está muito complicado por aqui).
Inúmeras entrevistas, seleções... expliquei tudo pra ela e ficamos discutindo o fato de eu nunca ser selecionado. Ela me disse uma coisa óbvia e que eu já sabia: minha falta de networking. Devido às circunstâncias, não conheci muita gente para me indicar pra nada e mesmo as que conheci até hoje evitei tentar alguma coisa. Por quê? Não sei, talvez por vergonha mesmo de pedir, talvez por orgulho ou talvez por achar que não mereço nada mesmo. Na verdade é assim que eu vou pra essas entrevistas, já vou achando que o selecionador não deveria me escolher pois sou incompetente no que faço. A coisa mais contraditória.
O fato é que minhas chances são reduzidas já que o meu circulo social é reduzido, não conheço quase ninguém e a pessoa com a qual conversei me disse que isso, definitivamente, é um grande problema. Só com muita sorte pra conseguir alguma coisa mandando currículo pra vagas que você vê na internet ou jornais ainda mais uma pessoa sem experiência formal. Mas até agora é só o que tenho feito, além de vez ou outra distribuir currículos sem esperança pessoalmente em alguns locais. Mas de novo. são só currículos, ninguém me conhece.
Ela também me falou que eu estou desesperadamente em busca de um emprego (formal), mas que trabalho ainda existe. Na minha área, na situação atual, eu teria que ser uma pessoa mais ousada e procurar alternativas... resumindo: tentar coisas que eu não sei se consigo fazer ou que acho que não tenho capacidade.
Saí de lá até com algumas ideias mas que não sei se sairiam do papel já que não sei por onde começar direito e, pra ser sincero, não acredito muito em mim, não mais.
Eu não sei, eu não tenho esse instinto de sobrevivência ou ambições na vida. Às vezes, parece que só estou esperando morrer mesmo (tive essa nítida sensação voltando no ônibus). Se fosse uma pessoa que realmente quisesse se dar bem acho que me daria. Só não sei até que ponto isso é falta de oportunidade, sorte, ousadia, competência ou um estado mental razoavelmente legal que me faça parar pra pensar em alguma coisa.
Só pra constar: mais uma vez meus remédios parecem ter parado de funcionar como deveriam. Novo recorde: 1 mês e meio.
quinta-feira, 24 de março de 2016
Morar no exterior e a depressão
Acho que já contei aqui que já morei em uma uma república e que não foi uma experiência nada boa. Acho que a parte que não contei é que, na verdade, morei um tempo longe de casa, fora do país pra ser mais preciso.
Eu sabia que ter essa experiência seria difícil,, mas já havia juntado tanto dinheiro pra isso, achando que faria alguma diferença na hora de arranjar um emprego que achei que não poderia desistir. E não desisti mesmo. Na época eu ainda me negava a recorrer a qualquer tipo de ajuda. resultado: quase um ano depressivo longe de tudo e de todos num lugar onde tudo era estranho pra mim e cheio de pessoas com as quais eu não estava preparado pra lidar.
Hoje não sei se me arrependo da experiência, talvez sim pois foi, provavelmente, o ano no qual eu mais me senti sozinho em toda a minha vida, Às vezes saía pela cidade, caminhava pelas ruas sem fazer nada, eu não tinha vontade de fazer nada e mesmo quando planejava algo que achava que seria legal, acabava por ser chato já que eu não estava bem. Outra coisa que sentia muito era a sensação de não pertencimento. Lógico, outro país, outros hábitos, mas eu me sentia em outro universo, um sentimento ainda mais forte do que o habitual que sempre senti.
Dia desses assisti um filme chamado "Encontros e Desencontros" (que acabou virando um dos meus filmes favoritos) e me identifiquei muito com os personagens, nem tanto por causa dos problemas com a língua (eles sofrem muito com essa barreira no filme) pois sabia um pouco, mas pela estranheza de estar em uma cidade grande sem conhecer ninguém e distante de tudo que era acostumado. Além disso, eles não sabiam exatamente o que queriam da vida, assim como eu. Coloquei uma cena que gosto muito abaixo. Essa sensação de caminhar sozinho, não só na rua, mas na sua cabeça. Há muita gente, mas nenhuma delas importa, no meu caso, quase não me enxergava como pessoa, era mais como uma coisa andando por aí, tentando prestar atenção em alguma coisa que me distraísse.
O lado bom é que eu acho que testei os meus limites. Não morri. Tive crises depressivas e de ansiedade e lidei com tudo sem ajudada de nada, eu sobrevive. Fui extremamente imprudente, pois sabia que estava na pior, mas prossegui, fui teimoso. Porém, talvez, no fim das contas, eu aprendi uma lição. Talvez eu já tenha vindo aqui falar que já cheguei no meu limite, mas analisando direito, depois de tudo aquilo, eu acho que meu limite ainda não chegou ou então eu teria me matado lá mesmo. Nossa, eu tive cada dia ruim, tantos sintomas, tanta tristeza durante tantas semanas sem parar.
Recomendo essa experiência pra uma pessoa que está passando por dificuldades parecidas? A resposta é um sonoro NÃO. Diria que é melhor se cuidar com o apoio das pessoas que você gosta (se você tiver esse tipo de apoio) e procurar um atendimento psiquiátrico ou psicológico mesmo, pois quando olho pra trás e penso naquele ano acho que foi meio que um obstáculo muito alto que eu achei que saberia lidar, mas não soube. Eu acho também que algumas pessoas vão em busca de coisa parecida como uma forma de fugir de algum problema que possuem. Não sei com relação aos outros, se essas pessoas conseguem fazer isso ou não, mas segundo a minha experiência, você pode se afastar de tudo e de todos, mas os sentimentos você carrega pra sempre, não importa onde.
Eu sabia que ter essa experiência seria difícil,, mas já havia juntado tanto dinheiro pra isso, achando que faria alguma diferença na hora de arranjar um emprego que achei que não poderia desistir. E não desisti mesmo. Na época eu ainda me negava a recorrer a qualquer tipo de ajuda. resultado: quase um ano depressivo longe de tudo e de todos num lugar onde tudo era estranho pra mim e cheio de pessoas com as quais eu não estava preparado pra lidar.
Hoje não sei se me arrependo da experiência, talvez sim pois foi, provavelmente, o ano no qual eu mais me senti sozinho em toda a minha vida, Às vezes saía pela cidade, caminhava pelas ruas sem fazer nada, eu não tinha vontade de fazer nada e mesmo quando planejava algo que achava que seria legal, acabava por ser chato já que eu não estava bem. Outra coisa que sentia muito era a sensação de não pertencimento. Lógico, outro país, outros hábitos, mas eu me sentia em outro universo, um sentimento ainda mais forte do que o habitual que sempre senti.
Dia desses assisti um filme chamado "Encontros e Desencontros" (que acabou virando um dos meus filmes favoritos) e me identifiquei muito com os personagens, nem tanto por causa dos problemas com a língua (eles sofrem muito com essa barreira no filme) pois sabia um pouco, mas pela estranheza de estar em uma cidade grande sem conhecer ninguém e distante de tudo que era acostumado. Além disso, eles não sabiam exatamente o que queriam da vida, assim como eu. Coloquei uma cena que gosto muito abaixo. Essa sensação de caminhar sozinho, não só na rua, mas na sua cabeça. Há muita gente, mas nenhuma delas importa, no meu caso, quase não me enxergava como pessoa, era mais como uma coisa andando por aí, tentando prestar atenção em alguma coisa que me distraísse.
O lado bom é que eu acho que testei os meus limites. Não morri. Tive crises depressivas e de ansiedade e lidei com tudo sem ajudada de nada, eu sobrevive. Fui extremamente imprudente, pois sabia que estava na pior, mas prossegui, fui teimoso. Porém, talvez, no fim das contas, eu aprendi uma lição. Talvez eu já tenha vindo aqui falar que já cheguei no meu limite, mas analisando direito, depois de tudo aquilo, eu acho que meu limite ainda não chegou ou então eu teria me matado lá mesmo. Nossa, eu tive cada dia ruim, tantos sintomas, tanta tristeza durante tantas semanas sem parar.
Recomendo essa experiência pra uma pessoa que está passando por dificuldades parecidas? A resposta é um sonoro NÃO. Diria que é melhor se cuidar com o apoio das pessoas que você gosta (se você tiver esse tipo de apoio) e procurar um atendimento psiquiátrico ou psicológico mesmo, pois quando olho pra trás e penso naquele ano acho que foi meio que um obstáculo muito alto que eu achei que saberia lidar, mas não soube. Eu acho também que algumas pessoas vão em busca de coisa parecida como uma forma de fugir de algum problema que possuem. Não sei com relação aos outros, se essas pessoas conseguem fazer isso ou não, mas segundo a minha experiência, você pode se afastar de tudo e de todos, mas os sentimentos você carrega pra sempre, não importa onde.
quarta-feira, 9 de março de 2016
Retrato de uma semana ruim (ou tendo um ataque de pânico na entrevista de emprego)
![]() |
| Image courtesy of Master isolated images at FreeDigitalPhotos.net |
Eu sabia que essa semana ia acabar assim mesmo, na verdade eu não sei como isso não aconteceu há alguns dias atrás quando escrevi minha última postagem. Coração acelerado, suando frio, falta de ar, tontura, confusão mental... passei mal no meio da entrevista de emprego e deixei a pessoa que me recebeu sem entender nada.
- Desculpa, eu não tô me sentindo bem.
- Está nervoso? Passando bem? Não se preocupe, só estamos
conversando. Quer uma água?
- Não, eu acho que vou embora, desculpa. E vou pela porta
apressado.
Saio do estabelecimento meio que sem saber o que fazer, minha
garganta e barriga doíam, é adrenalina demais. Tinha uma praça na frente, eu
vou procurar um lugar pra sentar (ou tombar). Jogo a mochila em cima do banco e
sento olhando pro chão, tentando respirar, não dá certo. Tento todas as
posições que conheço e percebo que sentado fico pior. Levanto e tento fazer
algum exercício de respiração... “Essa merda nunca funciona comigo!”. Não tem
outro jeito: pego o celular com as minhas mãos geladas e ligo pro meu pai, digo
que estou passando mal e queria que ele me buscasse. E esperar foi a pior
parte. Fiquei lá sofrendo por uns 20 minutos, pensando em um monte de coisas
que já escrevi aqui. Minha cabeça sabe trazer tudo de ruim que eu penso pra
esse momento, vou lembrando de várias situações, cada uma pior do que a outra.
Penso também no que vou fazer quando chegar em casa, meus remédios acabaram. Ir pra emergência? Estava decidido, só
esperaria meu pai chegar pra me levar, queria um sedativo, qualquer coisa.
Na hora a gente acha que vai morrer e quando isso acontece é
nisso mesmo que eu penso: morrer logo de uma vez, acabar logo essa palhaçada. É
assim que eu me sinto: um palhaço, acordando todo dia pra ver a vida rindo de
mim e nessas crises esse sentimento é multiplicado por 10. É um desejo que nem
dá pra explicar, é impulsivo mas é feroz, parece a hora perfeita pra dar um fim
e, por alguns instantes, parece que vale muito a pena. Depois da crise eu fico assustado
com as coisas que eu penso mas é isso aí que vem na minha cabeça.
A falta de ar e a cabeça não dão trégua. Sento e levanto do
banco várias vezes pra ver se faz alguma diferença. Nada muda. Resolvo deitar e
olhar pro céu e aí respiro um pouco melhor. E finalmente meu cérebro começa a
funcionar melhor: “Ao menos não estou mais fazendo a entrevista, poderia estar
pior. Pelo menos não estou mais lá dentro.” Percebo que esse pensamento me
ajuda e continuo tentando focar nele. “Mas eu pareci um idiota na frente da
moça, nunca vou conseguir um emprego”, minha ansiedade sobe. “Eu nunca mais vou vê-la mesmo”, minha ansiedade
desce. E fico assim por um bom tempo pensando sobre um monte de coisas sobre
mim, uma montanha-russa.
Meu pai nem me ligou pra saber onde eu estava, ele já sabia
que provavelmente estaria tentando me acalmar ali. Olha pra minha cara e
pergunta se eu quero ir pro hospital. Eu vou, deixo meu pai explicar a situação e eles me dão um sedativo, finalmente tenho vontade de dormir. Depois de algumas horas decido ir pra casa.
Fui ao psiquiatra novamente e fiz questão de pedir alguma coisa pra dormir, de volta ao Lioram e Bromazepam. Tomei uma dose alta agora, ainda me sinto um lixo, mas pelo menos meu corpo se acalmou.
Fui ao psiquiatra novamente e fiz questão de pedir alguma coisa pra dormir, de volta ao Lioram e Bromazepam. Tomei uma dose alta agora, ainda me sinto um lixo, mas pelo menos meu corpo se acalmou.
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