sábado, 29 de agosto de 2015

Existe um mundo dentro do mundo

Frequentemente eu acho isso mesmo: o mundo, na verdade, é feito por dois.
Tem o mundo das pessoas e tem o meu. Às vezes, tenho plena convicção de que sou um intruso invadindo o mundo dos outros e meio que estou procurando um saída para o meu.
Daí eu fico aqui olhando, e olhando, e olhando... me sentindo cada vez menor.

Mais alguém aí se sente um invasor?

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Meu vício em jogos (ou meu mundo que não existe)



Super Nintendo - meu primeiro vídeo game
Acho que assim como eu muita gente é vidrado em alguma coisa. Depois de conversar com muita gente online parece que uma coisa muitos de nós perturbados com a nossa vida temos em comum: vícios. No meu caso esse vício sempre foi jogos eletrônicos.

Acho que todo mundo tem o seu escapismo e o meu sempre foi esse. Passei a minha infância e adolescência inteirinha jogando. Jogos online, offline, de estratégia, de tiro, casuais, mundos virtuais 3D, eu já joguei (e jogo) de tudo. Parece que quando eu estou jogando me esqueço um pouco do mundo aqui fora. Talvez quem não tem depressão ou algum tipo de problema não entenda, mas isso é muito reconfortante, principalmente porque em determinados jogos eu sou bom e essa ideia de ser bom em alguma coisa sempre me prendeu no video game já que na minha real eu me sinto um merda fracassado e inútil. Sempre me senti assim desde criança.

Acho que eu tinha uns 10 anos quando ganhei o meu primeiro video game: Um Super Nintendo. Acho que um foi época que o meu vício não me atrapalhou já que a internet não era popular. Eu ainda tinha amigos e sempre chamava todo mundo pra jogar em casa. Quando eu era criança não era tão tímido, então era uma coisa que mais reunia do que afastava, apesar de eu já ter começado a trocar conversas com os outros por horas jogando Zelda, Mario e Bomberman.

Depois eu tive um Playstation 1 e eu senti cada vez mais a minha vida social acabar. Depois de um tempo eu ganhei um Playstation 2, e a partir daí a minha vida social praticamente parou. Com uns 14-15 anos todos os meus colegas já faziam coisas diferentes das minhas que se resumiam a ficar em casa o dia todo jogando. Meninas, festas, curtição, etc, foram coisas que eu não conheci naquela época e nem queria saber. Paralelamente a isso, eu tive uma época difícil por volta dos 15, me odiava cada vez mais. Resultado? Tome horas e horas intermináveis jogando pra "afogar as mágoas". Na época eu não tinha essa consciência, mas sabia que era uma das únicas coisas que me dava prazer e que era fácil pra mim.

The Sims - passava horas e horas construindo a minha casa
Nem preciso dizer que o computador foi ficando cada vez mais popular e, é claro, eu encontrei mais jogos: Age of Empires, Counter Strike, The Sims e Roller Coaster eram só alguns dos que eu costumava jogar diariamente, além de jogos em Flash. Meio cansado de jogar sozinho e com o crescimento da internet eu fui procurar jogos mais "sociais".

Acabei achando um jogo chamado "Habbo" que era basicamente um chat online com alguns joguinhos. Hoje eu nem acredito que fiquei tanto tempo ali, mas eu achava interessante, era uma forma de conhecer pessoas sem precisar olhar pra cara delas e ser rejeitado. Naquela altura eu já não tinha muita habilidade pra conversar com as pessoas então eu achava ficar teclando o máximo, era muito mais fácil.
 
Alguns dos meus jogos do PS3
Os anos foram passando e eu fui cada vez mais me isolando das pessoas devido à depressão e os vídeo games ali como meu escapismo. E assim foi a minha vida toda até hoje. Continuo viciado em jogos online. Hoje tenho um Playstation 3 e jogo todos os dias até de madrugada, principalmente jogos de tiro em primeira pessoa como Battlefield. Acho que a minha situação só não é pior porque estou desempregado e não tenho dinheiro pra comprar mais jogos ou até um console novo, mas se tivesse grana o faria sem pensar duas vezes. Na verdade, acho que vai ser a primeira coisa que vou fazer se arranjar um emprego, simplesmente não consigo largar isso pois a maioria das atividades que eu tento fazer não me dão tanto prazer quanto ficar jogando.

Eu tenho plena convicção que perdi parte da minha vida e tudo o que eu não fiz quando era mais jovem se reflete hoje pois continuo sendo um solitário que passa todos os dias em casa. Porém, eu não tenho certeza se posso culpar especificamente vídeo games por isso. Será que se eu não tivesse passado tanto tempo em jogos a minha vida seria melhor? Às vezes acho que uma vida normal eu não teria mesmo então teria direcionado a minha depressão pra algum outro tipo de vício, quem sabe até pior tipo drogas ou álcool (aliás, álcool é outra coisa que acho que tenho tendências e acho que falarei sobre isso depois).

De qualquer forma, é muito decepcionante saber que apesar de jovem não vivi e não vivo nada pois não tenho ânimo nenhum e minha ansiedade não me deixa fazer merda nenhuma. Hoje a depressão está cada vez mais forte e parece que não vai acabar. É frustrante saber que a única coisa que te dá umas horas de prazer é um mundo que não existe.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Mais remédios e sentimento de ser um merda


Como os antidepressivos que eu tomei da última vez não funcionaram por mais de uma semana, voltei ao psiquiatra pra ver se ele me dava algo diferente. Acabou que ele acabou me dando outro remédio, mas ele disse que a composição é a mesma do anterior, só que agora eu tomaria uma dose mais forte.

Tenho tomado 15mg de Reconter e Lioran (pra dormir). Mais uma vez só frustração com os resultados: umas duas semanas de relativa melhora e depois praticamente estaca zero. Minha ansiedade voltou, continuo sentindo todos os sintomas físicos toda hora como sempre foi. Essas tentativas só me frustram, é tipo como chegar perto do céu e depois cair direto pra o inferno, acho que eu fico pior depois que tento e dá errado, é frustrante demais. Parece que o meu corpo cria resistência à medicação em poucos dias.

Eu queria ter coragem pra sair por aí distribuindo currículo pessoalmente, tirar a minha carteira de motorista ou fazer algo do tipo, mas com essa ansiedade não consigo. Da última vez que fui numa entrevista de emprego nem conseguir chegar lá porque tive um ataque de ansiedade dentro do ônibus à caminho. Pior é que alguns colegas já vieram me perguntar o que ando fazendo e eu fico com vergonha em dizer que não tô fazendo nada enquanto eles já estão trabalhando e ganhando dinheiro. Minha vida há anos é um lixo, mas há quase 8 meses a única coisa que faço é acordar e não ter nenhum propósito, só como e durmo o dia inteiro, e realmente não tenho vontade de fazer nada, só fico pensando quando vou me sentir melhor pra enfim tentar ser feliz. Tenho pensado aqui se vai ser assim pra sempre e se eu não deveria me acostumar com isso já que há anos é assim mesmo.e esses antidepressivos não estão me ajudando do jeito que eu queria.

Já passei 12 dias sem colocar o pé na rua pois toda vez que eu saio de casa me sinto pior ainda, só consigo me sentir um merda olhando pras pessoas.

domingo, 28 de junho de 2015

Fazer nada

Há duas semanas meu psicólogo me disse que eu teria que parar e analisar a minha vida, pois ele não poderia me ajudar se eu não soubesse qual é o meu problema. No final das contas é isso: eu não sei o meu problema, o que eu sei é que me odeio e me sinto mal.

Ele disse que quase sempre há uma causa para as coisas que a gente faz e sente, mas até agora eu nãos sei exatamente o foi que me fez ficar assim. Disse isso com a maior honestidade e sem tentar esconder o meu passado já que eu quero melhorar, mas eu não sei o que me dá tanta angústia. Da última vez que conversamos eu disse que talvez as minhas relações familiares que não foram muitos boas durante muito tempo tenham desencadeado numa piora (ou extinção) da minha autoestima que é quase zero. Mas eu também falei pra ele que sei que muita gente teve um passado pior que o meu, então se é esse o meu problema por que isso me afetou tanto ao ponto de eu não conseguir ter uma vida normal? Talvez tenha algo a mais sobre mim que eu não saiba, eu preciso descobrir porque me odeio tanto e gostaria de morrer ou trocar de vida (doce fantasia essa última).

Meu psicólogo me disse que eu realmente não tenho condições de trabalhar agora, já que eu tô uma pilha de nervos e estou com medo de começar a mostrar pras pessoas que eu estou ficando "doido". Ele falou que eu preciso pegar um tempo pra mim e me analisar o que me deixa tão mal e começar a trabalhar essa(s) coisa(s) específica(s). Mais uma vez, o problema é que eu não sei exatamente o que é, as minhas crises depressivas muitas vezes vêm do nada. Eu tenho sintomas de ansiedade quase que metade do meu dia (sensação de falta de ar, roer unhas, mãos geladas...) mas muitas vezes sem pensar em nada, pelo menos não conscientemente. Sinto que os sintomas e a minha sensação de ser um lixo já estão tão dentro de mim que eu não preciso mais de causas pra me sentir mal, simplesmente me sinto. Isso me dói muito, queria uma solução imediata e não mais meses de terapia.

Tenho medo de passar mais algum tempo e eu continuar sem ao menos saber o que precisaria trabalhar com mais profundidade na terapia. Também gostaria muito de sair de casa pois esse ambiente não me faz bem, mas sem dinheiro fica difícil.

Não sei.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Tempo

O tempo nunca vai voltar, todos esses anos que eu já perdi não vão mudar. Uma das maiores tristezas da vida é saber que não há nenhuma segunda chance, nenhuma. Não dá pra viver de novo, fantasiar uma vida que não se tem não resolve nada, isso só me coloca ainda mais pra baixo. Eu daria qualquer coisa pra nascer de novo, talvez sendo outra pessoa a minha história até aqui fosse diferente.

Essas pessoas que nascem e vivem felizes, elas só tiveram uma chance e deu tudo certo. Que sorte.

domingo, 31 de maio de 2015

Sobrevivência


Ontem eu estava navegando pela internet e me deparei com essa música da Emeli Sandé, é uma cantora britânica. A letra me chamou muita atenção, pois eu acho que fala exatamente de uma das coisas que mais me fazem ver o mundo de maneira ruim: o fato das pessoas serem capazes de fazer qualquer coisa mesmo que no fundo não queiram.

"Oh heaven, oh heaven
I wait with good intentions
But the day it always lasts too long"


Eu acredito que as pessoas querem ser boas de alguma maneira, mas nesse mundo que a gente vive isso é muito difícil. A maioria das pessoas só pensa em si para sobreviver e no final das contas parece que é assim que precisa ser. Quando eu paro para olhar as ações das pessoas só vejo individualismo e luta pela sobrevivência escancarada mesmo. Esse mundo não é para os bonzinhos. Talvez seja por isso que eu quase não tenho amigos, no final as pessoas sempre revelam suas verdadeiras faces, é difícil confiar.

sábado, 16 de maio de 2015

Telespectador da vida real

Constantemente sinto que não faço parte desse mundo. Tem alguma coisa erra comigo. É como se tudo que está acontecendo estivesse passando num filme e eu só consigo assistir, distante, como se tudo aquilo fosse de mentira ou não fosse pra mim. Não consigo me sentir parte disso tudo, na verdade eu gostaria muito de saber como a maioria das pessoas conseguem viver a vida delas sem perceber o quanto essa vida é ruim. Por que parece que só eu sinto esse mal-estar? Não me sinto em sincronia com o mundo. Às vezes me sinto até menos humano.

Conselheiros do Youtube

    Recentemente, comecei a reparar na quantidade de canais no Youtube cuja única finalidade é dar conselhos sobre a vida. "Pare de se ...