quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Um ano morando sozinho

     Já se passou um ano desde que saí da casa dos meus pais e comecei a morar sozinho definitivamente. Digo "definitivamente" porque cheguei a fazer isso por alguns meses, em algumas ocasiões, mas nada definitivo. Pois bem, aqui estou eu, no meu "escritório", na minha cadeira, comendo a comida que eu fiz. O que eu tenho achado disso? Acho que isso veio com bastante atraso.

    Eu gosto muito de morar sozinho. Gosto de ter liberdade para fazer tudo o que quero, andar e me vestir da maneira que acho melhor, de não ser acordado ao som de vassouras batendo nos móveis e, acima de tudo, de me sentir um ser que não é um peso morto para as pessoas. Ser independente me dá mais ânimo para viver, isso é nítido para mim.

    Além disso, hoje tenho a plena certeza de que minha família teria tido uma história muito melhor se meus país tivessem se divorciado ao invés de levarem um casamento ruim. A vida conturbada do relacionamento dos meus pais acabou afetando (e muito!) minha vida e a vida dos meus irmãos. A maioria de nós já é independente, vive a própria vida e isso só melhorou nossos vínculos. No final das contas, o que nós precisávamos era de espaço. Precisávamos de espaço para sarar algumas feridas, repensar algumas coisas que aconteceram nas últimas décadas e sermos um pouco mais "nós mesmos". Acho que ser independente, e saber que o outro também é, faz com que a relação familiar seja mais amistosa. As pessoas ficam mais próximas porque assim desejam e não porque há uma relação de dependência.

    Enfim, comecei falando sobre morar sozinho e acabei falando somente sobre como é bom ficar fisicamente longe da minha família. Acho que os desafios de morar sozinho ficam para uma outra hora.

segunda-feira, 15 de maio de 2023

Quase 9 anos de blog

    Recentemente, conversando com alguém, me dei conta de que já se vão quase nove anos de existência desse blog. A existência dele não tem a menor importância, visto que uma parcela mínima da internet já passou por aqui e minhas postagens não contribuem com nada, é só que tirei um tempo para reler várias delas, de 2014 até hoje. É muito tempo, há nove anos atrás eu ainda era um jovenzinho confuso. Continuo confuso? Sim, mas estou melhor. 

    É interessante, muita gente tem diários onde escrevem suas atividades cotidianas como forma de terapia. Meu intuito com esse blog foi mais ou menos esse mesmo, a diferença é que aqui eu posso receber comentários de outras pessoas tão ou mais confusas do que eu. Nunca escrevi aqui com muita constância e, inclusive, no ano de 2022, só escrevi aqui duas vezes. Interessante que até isso revela um pouco da minha vida. Nos anos que mais estive na pior, postei mais. Nos anos que estive numa melhor, que foram esses últimos dois, postei menos.

    Relendo as postagens, posso dizer que, de fato, minha vida dos últimos nove anos está aqui. Boa parte das vezes que mais desejei morrer estão aqui, algumas das vezes que mais desejei viver também estão aqui e algumas ds vezes que eu não sabia o que queria também estão aqui. Vou até ver se o Blogger tem alguma maneira de salvar essas postagens, talvez daqui a nove anos eu comente mais alguma coisa sobre essa montanha-russa.

quarta-feira, 29 de março de 2023

Retrospectiva (atrasada) de 2022

 Olhando as postagens passadas, me dei conta de que quebrei a tradição do balanço de coisas boas e ruins do anos passado. Então lá vai:


Coisas boas:

- Tive bem menos crises de ansiedade.

- Não fui demitido mesmo com uma onda de layoffs acontecendo pelo mundo.

- Continuei trabalhando home office (que não quero largar nunca mais).

- Me mudei, estou finalmente morando sozinho.

- Consegui inverter a situação e hoje eu que ajudo financeiramente meus pais.

- Me sinto uma pessoa mais completa. Creio que seja por conta da independência financeira, me sentia meio hunulhado por não conseguir viver sozinho.


Coisas ruins:

- Não tive nenhum aumento significativo de salário. Esperava pelo menos um pouco.

- Esperava encontrar uma medicação mais eficaz. Não foi dessa vez mas ainda assim está bem melhor.

- Estudei muito pouco.

- Foi o ano mais apático da minha vida.

quinta-feira, 23 de março de 2023

Crise das brabas

Uma pequena situação no trabalho e pronto, lá se vai semanas de estabilidade. Falta de ar, calafrios, adrenalina correndo na veia, é a crise de ansiedade novamente. Há algum tempo não tinha uma crise tão forte quanto essa, talvez uns quatro meses. Essa, porém, foi diferente.

Quando entro em crise, por algum motivo, algo que funciona pra mim é parar de tomar a medicação. Não sei explicar, mas a medicação em mim serve como uma tampa numa panela de pressão: quando a pressão está equilibrada, a tampa me ajuda a manter um nível suportável de pressão, porém, quando a pressão é demais, melhor tirar a tampa e deixar estravazar, tentar conter, infelizmente, é pior. Ainda preciso encontrar uma medicação que de fato me ajude em momentos como esse e que não sejam benzodiazepínicos (que nunca mais tomarei na minha vid, com certeza).

O fato é que dessa vez a minha estratégia não funcionou tão rápido como de costume e, mesmo após alguns dias, os sintomas continuaram em níveis muito altos. A falta de ar só parou agora pela manhã e acho que meu corpo está fadigado de tanta dor no peito e mais de 24 horas sem dormir. É sempre assim, eu sempre sou contido pelo meu cansaço.

Saber que ficarei bem melhor em 24 horas sempre me consolou após eu finalmente ter achado a medicação que funciona em mim há alguns anos. Na hora da crise sempre me desespero, repito para mim mesmo que nada nessa vida vale a pena, mas, o fato de saber que no dia seguinte, provavelmente, estarei com menos sintomas sempre faz com que eu seja paciente. Ter uma crise fudida dessas a cada quatro meses ainda é infinitamente melhor do que viver com isso. Preciso manter isso na cabeça, minha vida é muito mais suportável agora.

Agora estou comendo um açaí. Depois de passar 36 horas fudido, meu ritual de recuperação inclui me encher de comida boa. E é isso, o açaí é o meu prêmio e eu mereço.



segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Morando sozinho



Creio que no ano passado eu tenha postado aqui que havia financiado um imóvel, estava pagando as prestações e estava esperando que o mesmo fosse entregue. A unidade foi entregue, saí da casa dos meus pais e estou morando sozinho há mais ou menos um mês.

Eu já morei sozinho mas por períodos curtos de 6 meses a 1 ano, mas dessa vez, posso dizer que tenho um lugar só meu. Pertence a mim e posso fazer o que eu quiser.

Sinceramente, não estou sentindo muita coisa. Acho que sinto muito mais apatia do que qualquer coisa. Não sinto alegria em ter conseguido isso aqui, também não me sinto decepcionado por não estar sentindo nada. No dia da entrega das chaves percebi que a maioria das pessoas estava muito feliz, muita gente tirando fotos, algumas já postando nas redes sociais que conseguiram atingir o sonho da casa própria. Eu, por outro lado, estava com fome, então estava mais esperando a hora do buffet que iriam servir.

Posso estar enganado e, possivelmente, preciso voltar à terapia para confirmar isso, mas me parece que a minha vontade de me livrar da ansiedade sempre será maior do que qualquer outro sonho ou objetivo. Parando para pensar, eu já consegui muita coisa na minha vida, principalmente nos últimos anos. Hoje eu tenho um emprego estável, em uma área estável e que não falta emprego, faço home office há anos, conseguir melhorar minha condição financeira mesmo durante uma pandemia onde milhões perderam seus empregos e terminei uma segunda faculdade. Só acho que eu nunca ficarei satisfeito com o que eu conseguir enquanto eu for uma pessoa doente.

domingo, 4 de setembro de 2022

A vida depois dos 30

 Minhas percepções:


- Se não conseguiu se dar bem financeiramente ou está perto disso, então não vai mais.

- Seus conhecidos já casaram ou estão próximos do casamento. Se você não casou para manter um estilo de vida parecido, é provável que te deixem de lado.

- Se você ainda não mora sozinho ou está perto disso, é muito provável que isso não aconteça mais.

- Se você ainda passa seu final de semana jogando videogame, provavelmente será assim pro resto da vida.

- Se você tem 30 e ainda é um profissional júnior, pode ter certeza de que vão te rotular como o atrasadinho na empresa privada que você trabalha. Ninguém acha isso normal. Não vão te falar, mas é isso mesmo.

terça-feira, 8 de março de 2022

Mudanças na vida

Primeira postagem e, na verdade, primeira vez desde 31 de dezembro que venho nessa finada blogosfera ler as atualizações dos amigos que ainda postam os "causos" da vida.

Acho que o ano de 2022 será de uma certa estabilidade. Financeiramente, como já relatei aqui, consegui finalmente melhorar e, às vezes, nem eu acredito que consegui. Quem já se deu ao trabalho de ler esse blog sabe que a minha vida sempre foi fazer bico pra ganhar 50 reais, fazer estágios e trabalhos temporários pra ganhar mixaria. Vale notar que também moro em um dos estados mais pobres do Brasil e oportunidades boas são poucas, venho de um lugar onde o sonho das pessoas é ganhar dois salários mínimos, o que ainda é pouco pra sobreviver. Hoje tenho um emprego melhor, tenho quase certeza de que é improvável que me demitam, estou ajudando meus meus pais e dei entrada em um apartamento na planta (que deve ficar pronto até outubro, segundo a construtora).

É um apartamento simples, em uma área simples da cidade, com dois quartos. Eu faço home-office e as perspectivas da minha área de atuação são de que o home-office permaneça pra sempre, então a localização não era importante pra mim, só precisava ser perto dos meus pais. O empreendimento tem cinco torres, bem daqueles que pessoas que trabalharam muito na vida veem uma oportunidade de saírem do aluguel com o Minha Casa Minha Vida (agora Casa Verde e Amarela). Eu praticamente não fui beneficiado por esse programa já que o governo há algum tempo mostra, sem nenhum pudor, que odeia pobres e eu também dei entrada em um imóvel sozinho, isso diminui os subsídios que você ganha. Eu não ganhei quase nada.

Pagar as taxas do imóvel tem sido fácil, já estão quase no valor de um aluguel mas consigo pagar, ajudar meus pais nas despesas (hoje eu praticamente pago tudo aqui em casa) e ainda consigo juntar um pouco para quitar meu apartamento. Minha meta é quitá-lo por completo em, no máximo, cinco anos. Será um pouco difícil mas, pra mim, é necessário. Por mais que eu ganhe um salário OK hoje, sei que a aposentadoria irá me fuder e preciso pensar em outros investimentos para quando a velhice chegar. 

Quando eu receber as chaves do apartamento, poderei alugá-lo. Então talvez eu até more nele durante um tempo pra ajeitar o que precisa e depois alugue por um ano ou dois. Pode ser uma oportunidade pra juntar mais uma grana pra quitá-lo ainda mais rápido. Sinto que minha mãe não quer que eu a deixe sozinha, então ninguém me apressa pra que eu saia logo de casa.

Não quero ser precipitado em falar que está tudo bem porque se estivesse eu não teria psiquiatra marcado pra semana que vem, mas depois de uns sete anos de lamúrias nesse blog, preciso informar as mudanças boas. Aparentemente, parece haver futuro.

Obrigado a todos que leram e um bom 2022.


Saí com uma mulher que não tem redes sociais

     Encontrei no Tinder, claro.      Conversa vai, conversa vem, ela acha que eu sou um psicopata e eu acho que ela é um fake. Marcamos de ...