Da última vez que escrevi alguma coisa lembro que estava bem melhor. Nos últimos dias tenho me sentido muito mal. 50% do tempo pensando pensando m morrer, nos outros 50 estou medicado ou dormindo.
Arranjei um estágio há uns dois meses atrás. Não era exatamente o que eu queria e nem na área que eu queria, mas queria fazer alguma coisa, ganhar algum dinheiro também, pelo menos pra pagar a minha faculdade ou dar pra alguém aqui de casa o que sobrasse. O negócio é que esse estágio coloca minha ansiedade em níveis que não consigo explicar. Todo dia é uma luta, todo dia eu quero desistir. Fico mais doente só de pensar nos dias que preciso ir.
Não acho que o estágio seja ruim, mas não me sinto preparado pra isso. Não tenho preguiça, pelo contrário, até faço mais do que deveria e em horários que não deveria estar lá, mas não consigo levar essa coisa desse jeito. Qualquer sinal de responsabilidade dispara os meus maiores medos, fico sem ar, cansado, tonto. Tive um ataque de pânico que algumas pessoas viram e isso me quebra ainda mais.
Além disso, a cada dia que passa me sinto pior pelo tempo que tá passando. Não fiz nada, não conquistei nada. Acho que a única coisa que consegui foi sobreviver até agora... grande merda. Sobreviver sem viver não serve de nada. A vontade de morrer é grande, meus dias agora se resumem a isso: pensar sobre isso, ensaiar com a cabeça, fazer planos. Depois de tudo isso, eu sempre tenho algum momento de lucidez e consigo enganar a minha cabeça. Eu bebo, eu tomo uns remédios, dou um jeito. Então eu durmo, acordo me sentindo um merda também, mas pela manhã ninguém tem energia nenhuma pra pensar em suicídio, então passo a tarde e a noite sofrendo em casa. Daí outro dia vem e depois ele vai.
Não consigo trabalhar assim, quero desistir.
domingo, 26 de março de 2017
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
Me sinto melhor
É triste e feliz ao mesmo tempo ter que admitir, mas voltei a tomar remédios. A coisa mais dolorosa foi que, no final das contas, voltei a tomar a mesma combinação que recebia antes, incluindo benzodiazepínico. Infelizmente, meu corpo não reage a outro tipo de medicação que já testei e nem à doses baixas. Então é isso aí, mesmo depois de tanto reclamar, choramingar e lutar contra, eu percebo que é muito improvável que eu tenha uma vida normal sem esse tipo de coisa, pelo menos não em um futuro próximo.
Há alguns meses atrás, lembro que estava achando tomar essas coisas algo muito ruim. Acho que, na minha cabeça, era como se estivesse me entregando de vez e decidi parar. Sofri e ainda sofro com efeitos colaterais? Sim, mas me sinto melhor. Acho que não vou ter tudo então escolho o menos pior. No momento, não me interessa mais se a minha memória continua ruim ou se tenho mais riscos de ter alzheimer no futuro, como vi em alguns sites por aí. Sinceramente, estou muito melhor do jeito que estou agora. Menos falta de ar, sem ataques de pânico, no máximo um grande desconforto suportável. Também consigo dormir de novo, um sono bom, sentia muita falta de um sono assim.
Estou conseguindo estudar mais, até arranjei um estágio (que é melhor do que nada). Pra quem estava com medo de enviar currículos pra certos lugares com medo de ser chamado, agora está quase tudo muito melhor. Lembro que fiz e saí confiante da entrevista pensando "Dessa vez, eu consigo". Coincidência isso tudo não é. O tratamento medicamentoso não muda 100% do que sou, mas a verdade é que é me ajuda, essa é a realidade.
Não quero me acostumar a lidar com meu transtorno de ansiedade desse jeito, mas é o que tem pra hoje e não acho isso tão ruim. Espero que esse ano continue melhorando, quero conseguir tocar a minha vida.
Há alguns meses atrás, lembro que estava achando tomar essas coisas algo muito ruim. Acho que, na minha cabeça, era como se estivesse me entregando de vez e decidi parar. Sofri e ainda sofro com efeitos colaterais? Sim, mas me sinto melhor. Acho que não vou ter tudo então escolho o menos pior. No momento, não me interessa mais se a minha memória continua ruim ou se tenho mais riscos de ter alzheimer no futuro, como vi em alguns sites por aí. Sinceramente, estou muito melhor do jeito que estou agora. Menos falta de ar, sem ataques de pânico, no máximo um grande desconforto suportável. Também consigo dormir de novo, um sono bom, sentia muita falta de um sono assim.
Estou conseguindo estudar mais, até arranjei um estágio (que é melhor do que nada). Pra quem estava com medo de enviar currículos pra certos lugares com medo de ser chamado, agora está quase tudo muito melhor. Lembro que fiz e saí confiante da entrevista pensando "Dessa vez, eu consigo". Coincidência isso tudo não é. O tratamento medicamentoso não muda 100% do que sou, mas a verdade é que é me ajuda, essa é a realidade.
Não quero me acostumar a lidar com meu transtorno de ansiedade desse jeito, mas é o que tem pra hoje e não acho isso tão ruim. Espero que esse ano continue melhorando, quero conseguir tocar a minha vida.
sábado, 31 de dezembro de 2016
Mais um ano 2
Olhando o histórico de postagens, vi que fiz uma postagem dessas no ano passado então decidi fazer outra.
Coisas ruins de 2016
- Ansiedade. ansiedade e ansiedade
- Ansiedade, crises de ansiedade e ansiedade
- Mais ataques de pânico
- Muita falta de ar
- Vício em remédios, tentativa de parar com eles e aceitação de que não vou ter uma vida normal sem
- Continuei desempregado e morando com meus pais
- Terminei o ano me sentindo uma pessoa amarga, cheia de mágoas que sempre teimei em fingir que não existiam.
Coisas boas de 2016
- Consegui manter contato com pessoas que conheci no ano passado. Isso pra mim é muito.
- Comecei uma faculdade nova
________________________
Não foi um bom ano, os últimos meses (especialmente dezembro) não foram bons. Essa última metade foi regada a muito mais álcool do que o habitual, não achei coincidência. Alguém me disse isso e eu concordo: sou (ou estou?) uma "pessoa de mal com a vida". Na maioria dos dias, eu já acordo com aquele sentimento de verme, ruim, sem razão pra acordar.
Daqui a alguns minutos já é 2017. Resisti mais um ano.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
Reflexões antes do Natal
Não lembro se já falei especificamente do Natal aqui, também não quero olhar o histórico de postagens, acho que vou escrever sobre isso mesmo e não importa se é tópico batido. Mais uma vez tô aqui pra escrever coisas do momento, quero ir escrevendo qualquer coisa, então tanto faz.
Há algumas horas atrás fui pego outra vez de surpresa por uma situação que despertou meu pior sentimento: ódio de mim mesmo. Tento evitar, faço de tudo, fujo de situações, não falo com quem acho que não deveria falar, não olho o que acho que não deveria olhar, mas mesmo assim alguma coisa sempre aparece pra fazer minha cabeça me falar que eu não valho nada. Essa coisa me fez pensar em várias outras mas no final me fez pensar no Natal.
Essa época do ano... queria voltar a contar os meses e dias para o Natal. Gostava de andar de carro vendo as luzes e o clima das pessoas. Não era muito bom na minha casa, mas gostava do que via por aí e como as pessoas se comportavam. Era uma época de alívio até certo ponto da minha vida.
O que me deixa desapontado é que hoje só consigo pensar que "é mais um Natal" e penso isso com muito pesar no coração. Há anos tento me esconder dessa data, não quero mais saber de nada relacionado à isso, evito andar por aí pra não ver nada que remeta a esse dia e época. Me faz mal saber que não estou comemorando o final de um bom ano de novo. É óbvio que os anos e datas são só representações simbólicas de uma coisa que é só a nossa percepção: o tempo. Porém, colocando as coisas que me aconteceram durante o ano em ordem cronológica, vejo que há muitas lacunas, isso me desanima e o Natal, na minha cabeça, representa o ápice do fim desse ciclo. Acho que tem a ver também com o fato de sentir que a minha vida sempre foi uma perda de tempo e não sinto que nada de muito legal já chegou pra me preencher. Essa data me faz pensar sobre isso. Até tento não pensar nisso, mas isso tá em tudo: na TV, internet, em todas as esquinas da cidade cheias de gente decorando as casas e saindo pra comprar presentes...
Acho que meu contato com as pessoas é tão pouco que me causa medo, surpresa e até certa estranheza quando vejo muitas pessoas reunidas para comemorar uma coisa como essa. Sinto que isso não é pra mim, não pertenço, é quase como se não pudesse, é quase como se estivesse sendo falso comigo mesmo e tentando virar uma pessoa comum que o meu inconsciente teima em dizer que não posso. Eu gostaria, mas é como se não pudesse. No final do dia vou sempre lembrar de alguma risada ou coisa legal que fiz ou presenciei e minha cabeça vai dizer que fiz um papel ridículo querendo sem uma pessoa "normal". Só consigo pensar que isso é ódio a mim mesmo.
Eu não odeio o Natal. Por vezes me odeio e por isso não consigo aproveitar essa data. Amanhã vou ficar na minha, arranjar um jeito de ver o tempo passar, quem sabe ficar bêbado aqui no meu quarto.
domingo, 11 de dezembro de 2016
A dor da perda e a dor de nunca perder
Fico imaginando o que é pior. Aliás, nesses últimos dias nos quais estive pensando nisso com mais foco, acho que entendo a razão pela qual acho que as pessoas não me entenderiam se me abrisse para elas e por isso evito esse tipo de coisa. Acho que, ao contrário de grande parte das pessoas que sofrem com esses problemas e até das que leem essa porcaria de blog, não sinto que perdi alguma coisa e por isso estou do jeito que estou. É totalmente o contrário, sinto que nunca tive coisa alguma que me trouxesse alguma paz ou felicidade plena, e isso me chateia muito.
Não tive nenhum amor, nenhuma grande paixão, nenhuma grande meta cumprida e que eu realmente quisesse. Também não tive grandes memórias relacionadas a coisas que me faziam muito bem quando era mais novo, não tive nenhum apreço que me fizesse sentir importante para alguém de verdade, tão pouco tive meu apreço por outras pessoas retribuído durante quase toda a minha pouca vida. Então é assim, são 25 anos mas ainda esperando a vida "começar". E o tempo aos poucos vai passando e isso fica preso na gente... e daí que há dois anos atrás eu estava pensando a mesma coisa e há três e quatro anos atrás também. E a aí a gente acha que nunca vai chegar a nossa hora, não vamos nos apaixonar por nada, até porque não sabemos como é isso, não temos parâmetros, não dá pra pensar "como queria voltar para aquela época". Não teve "aquela época" e mesmo se teve não me lembro de ser tão boa.
O ponto é que a dor da perda deve ser ruim mesmo, especialmente se você perder algo que te trazia um bem-estar genuíno. Só acho que causa estranheza às pessoas quando alguém diz que sofre com o contrário. Me acho um ser tão incompleto por isso. Uma pessoa sem história, sem experiências, com pouca coisa por dentro.
terça-feira, 8 de novembro de 2016
Página em branco
Não sei o que estava fazendo há alguns minutos atrás, mas estou pensando nisso agora: por que carrego essa certeza de que a minha vida e um papel em branco são praticamente as mesmas coisas?
Estava pensando aqui, será mesmo que é porque há algumas coisas que nunca tive, fiz ou não aproveitei tanto quanto a maioria das pessoas ou é porque nunca consigo manter um bom estado emocional por muito tempo ao ponto de guardar essas lembranças como algo bom? Não consigo saber.
Parando pra pensar bem, nesse tempo com a minha última medicação que estava (e ainda está) afetando a minha memória, tive menos crises em decorrência de pensamentos negativos trazidos por lembranças indesejáveis. Quer dizer, só posso imaginar que quanto menos me lembro, melhor.
Será que ficaria melhor se, ao invés de apenas ter a sensação de que o meu passado foi um lixo, não conseguisse lembrar de passado nenhum? Algum tipo de lobotomia?
Como seria se acordasse e não lembrasse de nada, nem o meu próprio nome? Acho que ficaria confuso por não saber quem eu era ou que fiz. Acho que qualquer um só imaginaria que fez algo tão ruim que só apagando tudo da cabeça resolveria. Seria uma agonia sim. Mas seria uma agonia maior do que acordar e lembrar de tudo o que gostaria de esquecer?
Confesso que gosto de ideia do esquecimento.
Estava pensando aqui, será mesmo que é porque há algumas coisas que nunca tive, fiz ou não aproveitei tanto quanto a maioria das pessoas ou é porque nunca consigo manter um bom estado emocional por muito tempo ao ponto de guardar essas lembranças como algo bom? Não consigo saber.
Parando pra pensar bem, nesse tempo com a minha última medicação que estava (e ainda está) afetando a minha memória, tive menos crises em decorrência de pensamentos negativos trazidos por lembranças indesejáveis. Quer dizer, só posso imaginar que quanto menos me lembro, melhor.
Será que ficaria melhor se, ao invés de apenas ter a sensação de que o meu passado foi um lixo, não conseguisse lembrar de passado nenhum? Algum tipo de lobotomia?
Como seria se acordasse e não lembrasse de nada, nem o meu próprio nome? Acho que ficaria confuso por não saber quem eu era ou que fiz. Acho que qualquer um só imaginaria que fez algo tão ruim que só apagando tudo da cabeça resolveria. Seria uma agonia sim. Mas seria uma agonia maior do que acordar e lembrar de tudo o que gostaria de esquecer?
Confesso que gosto de ideia do esquecimento.
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
A segunda melhor coisa do mundo
A primeira, com certeza, é dormir. A segunda, ficar bêbado. Digo ficar bêbado, pois só gosto disso mesmo, odeio o ato de beber em si. Odeio quase todas as bebidas alcoólicas com exceção de uma ou outra, o gosto do álcool não me agrada. Mas é só umas doses bem concentradas de álcool que pra mim tá quase tudo certo: ansiedade muito menor, pouca noção do que tá acontecendo, relaxamento e, se prolongar o momento, uma sensação muito boa.
Hoje, voltando da faculdade, vim decidido. Comprei duas garrafas de vinho barato e tô aqui olhando umas coisas. Já se foi meia garrafa e minha ansiedade já me deu uma trégua.
Hoje, voltando da faculdade, vim decidido. Comprei duas garrafas de vinho barato e tô aqui olhando umas coisas. Já se foi meia garrafa e minha ansiedade já me deu uma trégua.
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