domingo, 14 de junho de 2020

Não sei o que fazer com esse blog

Acho que não tenho mais nada para falar e, mesmo que tivesse, acho que daqui para frente só terei situações pontuais que me causam sofrimento físico ou psicológico de alguma forma para descrever. Não acho que ninguém se interessa por isso e, além de tudo, não sinto vontade mais vontade de escrever sobre esse tipo de coisa. Acho que não funciono como algumas pessoas por aí, quer dizer, desabafar sobre as mesmas coisas não me ajuda, só drena minha energia.

Mesmo que haja curiosos para ler isso e insistam que gostem, como pude constatar na postagem na qual pergunto sobre o motivo de estarem aqui, acho que só estarei me repetindo. Ficarei num loop, contando situações diferentes mas que sempre têm a ver com as mesmas coisas.

Acho que já mostrei minha visão sobre muita coisa e também como minhas ideias mudaram: suicídio, relacionamentos, isolamento, sexo, raiva, alegria, aparência, vida, morte. Talvez poste alguma coisa se alguma dessas minhas convicções mudar. E é isso. Cansado e sem motivos para escrever.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Eterno estagiário



Como já relatei aqui, sempre fui um fracasso na área profissional. Tenho plena ciência de que há pessoas que até os 30 anos (ou até mais) nunca trabalharam na vida por diversos motivos, mas me considero um caso "especial" no mercado de trabalho. Sou formado em uma faculdade federal e estou terminando um segundo curso em uma faculdade particular. O negócio é que, até alguns meses atrás, as únicas coisas que eu havia conseguido foram um trabalho temporário, que durou cerca de 8 meses de contrato, e estágios... MUITOS estágios.

Somando todos os estágios que eu tive nesses dois cursos, fui "o estagiário" cinco vezes. Isso não é pouco, isso é muito! Para a boa parte dos estudantes, basta apenas um estágio para conseguir que as portas do mercado se abram um pouco mais mas, para mim, não foi assim, e foi pura incompetência e, claro, problemas de ansiedade e depressão. O fato é que, nessa década dos 20 anos, que para mim já está quase acabando, não tive um emprego fixo, não tive minha carteira assinada, não tive responsabilidades que deveria ter tido e que fariam minha auto-estima melhorar muito. Acho que isso contribuiu demais para o meu sentimento de inferioridade. Claro, quem não se sente inferior vendo fulano com 23 anos que já tem carro e mora longe da família enquanto você é um desempregado de 27 anos de idade, se iludindo que está aprendendo alguma coisa na faculdade?

Me sinto extremamente frustrado com minha entrada tardia no mercado de trabalho, passei boa parte dos últimos dez anos me sentindo um adolescente no meio de pessoas adultas. Meu caso foi atípico. Quando eu era mais novo, já sabendo que seria um fracasso em todos os outros aspectos da minha vida, me voltei para a área profissional, eu gostaria de ser bem sucedido nessa área para compensar o lixo que eu seria em outras. Me formei em uma faculdade federal, me envolvi em projetos, fiz um milhão de estágios, tive a oportunidade de passar um tempo fora do país, aprendi uma língua com proficiência, mas isso pouco me ajudou.

Pessoas disseram que eu não tive "vergonha na cara" pois, segundo elas, eu não queria trabalhar, mas como trabalhar se ao menor sinal de cobrança eu passava mal? Eu estudava pra caralho, estudava como um condenado, mas não suportava a pressão de um emprego. O resultado? Eu nunca passava em seleções de emprego, me expressava mal, não tinha jeito para isso... isso quando eu chegava a ir, várias vezes tive que desistir de participar do processo pois passava mal no ônibus à caminho. Isso só me complicava pois, quanto mais velho você fica e sem experiência, mais estranho isso soa para o empregador: "Como assim um cara de 27 anos que só teve estágios e um emprego temporário de oito meses? Tem algo errado aí". Isso me fez me sentir um lixão ainda maior. Também sempre fui um cara sozinho, nunca consegui nada que não fosse mandar currículo adoidado pela internet. Não tenho quem me indique e nunca terei.

Dinheiro eu também não tinha, sempre ganhei uma merreca, quase sempre menos de um salário mínimo. Foi muito difícil passar esses anos todos sendo um homem barbado sem uma fonte de renda, isso fez eu evitar muitas coisas pelo medo de ser julgado. Há alguns meses atrás consegui um emprego graças à uma dica de um colega de blogger, podem acessar o blog dele aqui, também é sobre lamúrias nessa vida. Agradeço muito à ele pela dica.

Enfim, essa postagem já está longa demais e chata. Depois volto pra contar como está a vida do estagiário que finalmente começou a trabalhar. Spoiler: tá um lixão.

sábado, 11 de abril de 2020

Isolamento social - COVID 19




Está sendo fácil. Estou há 17 dias em casa. Todos os funcionários da empresa foram liberados para home office e eu estou em casa desde então. Sim, estou finalmente trabalhando com carteira assinada, após longos anos de atividades que eram incertas e temporárias. Com certeza escreverei sobre todas as dificuldades do trabalho um dia, mas o assunto é COVID-19.

Creio mesmo aqueles que estão trabalhando de suas casas não estão há tanto tempo sem colocar os pés na rua. As pessoas precisam comprar comida, pagar as contas, ver outras pessoas nem que seja para coisas rápidas, o que são coisas que eu não preciso fazer no momento. Estou realmente há 17 dias sem sair, nem ver a calçada, boa parte desse tempo no meu computador, trabalhando ou vendo vídeos no Youtube.

Sempre tive uma relação estranha com essa coisa de ficar em casa. Sempre achei que permanecer em casa, sem fazer absolutamente nada, fosse sinônimo de fracasso total nessa vida e ainda acho pois sempre vou me comparar as pessoas felizes e que têm uma vida social perfeitamente normal. No entanto, não sair, não encontrar ninguém sempre foi minha forma de me proteger, de evitar me sentir um merda lá fora e tem sido assim há muito tempo com alguma melhora nos últimos tempos (para sexo casual para ser mais exato).

Por que não me sinto tão mal durante a quarentena? Por que, apesar de saber que nem todos os estão seguindo as recomendações com tanta determinação, sei que o comportamento de muitos mudou. Sei que, assim como eu, muitos estão em casa, muitos estão deixando de fazer o que gostariam e isso me conforta, me sinto menos só dessa forma, gosto de saber que há muitas pessoas nesse momento que estão se comportando exatamente como sempre fui: um eremita. Tá todo mundo em casa e, por isso, me sinto mais normal.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Por que vocês leem esse blog?



Se é que alguém além de meia dúzia de pessoas ainda lê isso. Por que reservam tempo procurando esse esgoto de pensamentos no Google? Eu realmente gostaria de saber de você que chegou aqui digitando "blog de um merda deprimido" ou "blog de um doido ansioso" ou algo assim no Google. Sério mesmo, na moral, me falem. É curiosidade, pra dar risada, pra tentar se identificar com essa merda, é pra se sentir menos merda porque tem gente mais na merda que você, é pra quê? Me falem por e-mail, me falem nos comentários, me falem onde vocês quiserem com toda sinceridade do mundo.

Esse blog é inútil, é um lixo, não acrescenta em nada na vida de vocês e acho que também não acrescenta muita coisa na minha. Essa é a verdade.

sábado, 11 de janeiro de 2020

O sentimento mais poderoso que existe



Não, não é o amor, é o ODIO.
Talvez seja só mais um reflexo de uma das minhas crises. Agora encontro-me enchendo a cara às 4h da manhã para tentar me controlar, procurando alguma coisa que me faça esquecer toda a raiva dentro de mim. É algo que já pensei bastante ao longo desses anos, mas hoje concluo que a raiva é a coisa mais poderosa que o ser humano pode nutrir. Ela faz você querer acabar com o mundo e qualquer um que cruze o seu caminho, faz você querer esmurrar a parede e só parar quando suas mãos sangrarem tanto que a dor seja tão insuportável que nem toda a sua adrenalina pode anestesiar. O ódio faz você dar um fim em tudo e e todos que te fazem ficar mal, incluindo você mesmo. Faz você não parar de pensar em voltar no tempo, só imaginando o exato momento no qual deveria estar matando outra pessoa de pancada para logo em seguida gritar pra todo mundo que o mundo é um lixo, você é um lixo e que você quer que tudo se foda. Eu realmente não conheço o amor, pois se isso é mais forte do que estou sentindo agora, é algo incompreensível para mim.

Só para esclarecer: uma pessoa que se diz "defensora da moral e dos bons costumes" disse que eu não presto por causa de determinadas posições que possuo e agora ela se comporta como uma hipócrita fazendo exatamente aquilo que condena. Disse que minhas opiniões políticas e sociais são um lixo porque não representam valores que ela considera corretos: respeito, religiosidade e lealdade. Disse que sou promíscuo, que não tenho caráter por não querer um relacionamento estável e que, por isso, ajudo a degenerar a sociedade apoiando, na cabeça dela, pessoas que "não ajudam a dignificar o Brasil". Essa pessoa tentou me humilhar de todas as formas e agora faz exatamente aquilo que apontou. O que vocês acham de uma pessoa que defende tanto os preceitos morais da sociedade brasileira e que, ao mesmo tempo, trai seu companheiro? Que tipo de moral tem essa pessoa? E o que ela merece depois de querer dar uma de santa, sendo, na verdade, uma hipócrita miserável do caralho?! Trair uma pessoa desse jeito é algo que não faço e nunca fiz. Poucas vezes havia sentido isso, mas hipocrisia de uma forma tão agressiva comigo me deixa extremamente raivoso. Já não basta o que tenho que gastar de remédio mesmo estando desempregado? Já não basta minhas idas e vinda da emergência? Eu ainda tenho que lidar com essa porra?? Eu odeio o mundo.

domingo, 29 de dezembro de 2019

Retrospectiva 2019




Como é tradição, faço mais uma postagem com pontos positivos e negativos do ano que está acabando.

Coisas boas:

- Após muitos testes, mudanças de medicamento e dosagens, posso dizer que meu problema de falta de ar 24 horas por dia, 7 dias por semana, que tanto relatei aqui, encontra-se muito melhor. O Ano de 2017 foi um ano de esperanças com relação à isso e o ano de 2018 foi um período de medo de que a medicação parasse de funcionar. Mas, em 2019, acho que finalmente posso dizer que encontro-me estável, hoje eu tenho crises de falta de ar (como a maioria das pessoas com ansiedade tem) e não preciso conviver com isso a todo o momento. Sou grato por isso, foram quase 27 anos de desespero. Pode ser que eu precise tomar remédios para o resto da vida por conta desse problema, mas não me importo.

- Não consigo seguir uma dieta, mas resolvi levar a academia mais à sério. Meu corpo parece melhor e minha autoestima também.

- Voltei a fazer sexo. Na verdade, nunca tive uma vida sexual estável, mas hoje tá até legal. Tudo isso, com certeza, veio com mais confiança que sinto com a melhora da minha aparência devido à musculação. Poderia estar melhor se os remédios não atrapalhassem. Sim, o que tomo, infelizmente, causa certa diminuição da libido. Outra coisa: as pessoas são superficiais mesmo e você consegue sexo fácil de se tiver um corpo considerado "legal".

- Quem gostava de mim ficou do meu lado e quem não gostava nunca mais falou comigo.

Coisas ruins:

- Minha medicação me deixa bem mais estável mas, em situações de crise, ela piora a situação em 100%. É difícil explicar, mas, se não ocorre nenhuma situação extrema, minha medicação me deixa bem mais legal, mas, se algo acontece para me preocupar, tenho momentos infernais. Se durante 29 dias no mês não sinto falta de ar, em um dia de crise forte, vou para a emergência quase sem conseguir respirar. É o dia que realmente considero me matar e pular da janela do meu quarto. É uma confusão mental e desconforto físico descomunal. Há alguns meses atrás, tive que pedir para me vigiarem pois falei com todas as letras que gostaria  e estava pronto para me matar.

- Estou desempregado e sem perspectiva profissional nenhuma.

- Bebi muito.

- Continuei dando muito importância para críticas. Todos os episódios de extrema ansiedade foram devido a isso. Queria parar de dar ouvidos para esse tipo de coisa bem como parar de me criticar tanto. Não quero mais me odiar tanto em 2020.

sábado, 23 de novembro de 2019

Me sinto um merda sem valor até quando vou transar

É sempre a mesma coisa, no sexo sempre acho que eu não mereço nada. Sou sempre eu que tenho que fazer de tudo pra que a pessoa fique satisfeita, sou sempre eu que digo "sim" para coisas que não estou a fim de fazer e digo "não" para mim mesmo quando quero algo mas não quero pedir. Todo mundo está mais preocupado consigo mesmo nesse quesito, por que eu não posso estar também?

Quando me tornei uma pessoa que se sente tão insignificante e que não merece merda nenhuma até nisso? Por que eu acho que nunca mereço nada? Tenho um medo muito grande de não agradar as pessoas em tudo o que faço e acaba que não é diferente comigo no sexo. Há uma diferença muito grande entre ser generoso e achar que realmente não merece nada. Acho isso tão chato, tão injusto comigo mesmo.Digo isso porque sexo deveria ser uma coisa que distrai, libera tensão, deveria, teoricamente, diminuir minha ansiedade. Em certa medida, durante o ato, me sinto mais relaxado, mas depois vejo que as coisas não foram como eu realmente queria e me pego frustrado. Ontem isso ficou muito claro pra mim quando uma pessoa me disse com todas as letras que gosta de ficar comigo porque na cama eu faço tudo pra ela e não me importo nadinha comigo. Talvez pessoas que sabem equilibrar a generosidade e o egoísmo de forma melhor se sentissem elogiadas, mas eu fiquei furioso, com muita raiva de mim mesmo.

Ficar mais consciente de que você se odeia, que acha mesmo que você é um verme sem valor e que você se pune de modo irracional é uma merda!


Saí com uma mulher que não tem redes sociais

     Encontrei no Tinder, claro.      Conversa vai, conversa vem, ela acha que eu sou um psicopata e eu acho que ela é um fake. Marcamos de ...