quarta-feira, 24 de junho de 2026

Saí com uma mulher que não tem redes sociais

    Encontrei no Tinder, claro.

    Conversa vai, conversa vem, ela acha que eu sou um psicopata e eu acho que ela é um fake. Marcamos de nos vermos porque, aparentemente, os dois eram doidos. Doidos de doidice mesmo e doidos para encontrar outra pessoa alheia à loucura que virou a internet.

    Ela me disse que deletou tudo há uns seis anos. Terminou com o namorado. Começou deletando uma foto, foi deletando, foi deletando, e deletou mais uma foto, e mais uma... e por que não deletar a porra toda? Deletou tudo e nunca olhou para trás. Mora com os pais e trabalha no setor administrativo de uma construtora. Em determinado momento olhei o papel de parede do celular, não tinha selfie, era só um gato. 32 anos. Pensei em várias viagens que poderíamos fazer juntos pelo simples prazer de pegar um avião e sair pelo mundo, sem compromisso nenhum de dizer para onde fomos. Seria essa minha esposa em uma timeline alternativa no multiverso? Talvez uma amante, vai saber?

    Digo para ela porque sou também um fantasma na sociedade, conversamos por umas duas horinhas, tomando açaí, ela paga o dela (é ou não é para casar?), não rola nada e vamos para casa, cada um segue o seu rumo. Dois trintões sozinhos, cada um tomando o seu rumo. Imagino que ela quer casar e ter filhos, mas não perguntei. Que bom que eu não perguntei, ela perguntaria de volta, eu seria sincero e a noite seria estragada. Não teve beijo, não levei ela para o meu apartamento, não teve nada, mas foi a melhor saída desse ano. Conversar com interesse genuíno nas pessoas é muito bom.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Eu e a tal da solidão

    A maioria das vezes que reclamei de não ter amigos não foi por causa da falta de companhia e da solidão. Meu descontentamento, na verdade, se dava por me comparar muito com os outros. "Se todos têm amigos, por apenas eu não tenho?" Ninguém quer ser anormal.

    Eu preciso de poucos amigos, talvez apenas um ou talvez até nenhum. Posso estar errado, mas me parece que conversar com conhecidos de vez em quando geralmente parece me bastar. Hoje eu aprecio a solitude. Se ficar sozinho não me traz malefícios, então qual o problema?

    Falo com um amigo (que só agora entendo que é um amigo) uma vez a cada dois ou três meses no Whatsapp e pronto, já estou preparado para ficar mais uns quatro sem contato nenhum com ninguém a não ser minha família. Não me sinto mais anormal, não mais acho que estou perdendo alguma coisa e não me sinto mal por isso.

    Manter amizades é um trabalho hercúleo e eu sei que eu dificilmente abrirei minha vida para outra pessoa com a facilidade que vejo as pessoas abrirem as delas. Eu não me sinto bem em abrir 100¨% da minha vida para ninguém: nem minha família, nem interesse amoroso e nem amigo nenhum. Dito isso, enquanto escrevo, me pergunto se estou sendo sincero ou se estou apenas tentando me enganar para lidar com uma certa inaptidão para a coisa. Acho que pode ser isso, acho pode não ser. O que eu sei é, nesse momento, me sinto muito lúcido e confortável.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Um ano sem filmes

     Um ano. Estou há 12 meses sem assistir um filme. Sem filmes e sem séries.

    Nunca fui muito fã de séries e a última série que assisti foi Westworld, uma série da HBO muito interessante cuja última temporada foi lançada em 2020. Mistérios da consciência, da senciência e tudo que rodeia a ponte entre o cérebro e o mundo exterior. Era uma série muito fascinante para mim e, desde então, não encontrei mais nada que me instigasse tanto. Eu não pago nenhum serviço de streaming por assinatura, não tenho Netflix, Amazon Prime, Disney Plus, nada... achar outra série interessante é meio difícil, mesmo.

    Eu sempre gostei muito de filmes, me considerava um cinéfilo. Assistia muito filme de Hollywood, também gostava muito de filmes independentes, já fui até em festival dedicado aos últimos. Meu auge foi quando saí da minha cidadezinha no interior e me mudei para a capital, onde cinema existe. Assistia uns dois filmes no cinema por mês, fazia maratonas. Chegava a assistir duas sessões seguidas, saía de uma e já ia para outra. Em um momento estava assistindo algum desses filmes de Oscar e, duas horas depois, já estava assistindo filmes da Marvel em outra sala. Sempre sozinho, mas muito entretido. Eu gostava muito daquilo e cinema sempre foi um dos meus escapismos favoritos.

    Estou há um ano sem assistir um filme. O máximo que faço é assistir documentários no Youtube e mesmo assim sem prestar muita atenção. Deixo rolando enquanto vou fazer outra coisa, às vezes enquanto trabalho. De todos os meus hobbies, creio que esse era o mais cansativo. Assistir um filme significa muitas experiências sensoriais e hoje vejo que elas me cansam. Acho que estou ficando cansado e virando uma pessoa cansativa. Tenho mais preguiça de me explicar, mais preguiça de me fazer entender, mais preguiça de entender os outros, preguiça de pensar muito. Definitivamente, não é só uma preguiça mental, é física mesmo e preciso procurar um médico.

    Já fiquei com preguiça de continuar esse texto. Que preguiça do caralho.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Retrospectiva 2025

Vamos lá:

Coisas boas:

1 - Perdi um pouco de peso. Saí da faixa da obesidade e agora estou na faixa do sobrepeso. 10kg a menos, agora só faltam mais 20kg.

2 - Consegui aumentar meu salário de novo. Não peguei minha chefe e não puxei saco de ninguém, então alguma coisa aí eu ando fazendo certo.

3 - Viajei um pouquinho. À trabalho, mas viajei.


Coisas ruins:

1 - Tive que trocar minha medicação novamente. Sai a sertralina e volta o escitalopram. Por algum motivo, após anos de uso, a sertralina estava me causando picos de ansiedade muito intensos. 

2 - Minha hérnia de disco piorou muito.

3 - Meu sono está muito ruim. Estou conseguindo dormir com mais facilidade e a insônia está melhor, mas problema é a qualidade desse sono. Acordo muito cansado, sem força pra nada e em uma ou duas horas já fico com sono de novo. Não é que fico cansado, eu fico com sono mesmo. Desconfio que seja problema respiratório, já que eu ronco pra caralho. Em 2026, marcarei uma consulta com um desses médicos do sono para descobrir o que é.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Desconexão

 





    O que as três pessoas acima têm em comum? O rosto de todas elas eram desconhecidos para mim há alguns meses atrás. São pessoas que eu sabia que existiam, ouvi falar entre uma notícia e outra nos meus portais de notícias favoritos, mas nunca dei a menor atenção. Nunca me dei ao trabalho de ver o rosto de nenhuma delas.
    Caso você também seja um fantasma na sociedade, de cima para baixo, trata-se de Marília Mendonça, cantora que faleceu já há alguns anos, Ana Castela, uma péssima cantora sertaneja, e Vini Jr, mais um jogador de futebol milionário que agora está namorando com uma tal de Virgínia Fonsesa (mulher famosa que eu também não tinha a menor ideia de como era até assistir seu depoimento na CPI das bets). 
    Creio que, de todas elas, a que mais me desperta curiosidade é a Marília Mendonça. Ouço falar há anos, soube que morreu, soube que tinha uma legião de fãs, ganhou rua com o nome em sua homenagem, mas eu nunca quis nem saber quem era essa mulher.
    Não assisto TV e passo o dia escutando notícias sobre política e economia no Youtube. Pouco socializo para ser introduzido ao que é pop na sociedade. Também trabalho em home office, então não tenho conversas durante o almoço para discutir bobagens. Não tenho coragem nem de fazer uma conta fake em uma dessas redes só para rolar a página para baixo e descobrir o que está na boca do povo.
    Não sei nada sobre as polêmicas recentes, não sei o que é moda, não sei de quase nada que não envolva o Congresso Nacional. Passo o dia ouvindo notícias sobre política e assistindo documentários sobre temas diversos no Youtube. Ignoro qualquer coisa sobre celebridades e não clico em nenhum link que possui palavras como "treta" no título. 
    Tenho três vizinhos de porta nesse condomínio onde resido há dois anos e não sei o nome de nenhum deles. Eu não ligo em não saber, eu não quero saber e, provavelmente, não me darei ao trabalho de conhecê-los. Minha vida tem sido essa, desconexão com o mundo e preguiça do mesmo. 

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Atualizações

 - Ando cheio de tédio, cheio de ansiedade e de saco cheio do trabalho.

- A sertralina tem sido um remédio muito ruim. Posso estar enganado, mas acredito que esse medicamente tem feito minha pressão subir. Quero parar com ele, mas tenho medo do próximo medicamente que me será receitado.

- Estou velho demais para ser novo e novo demais para ser velho. 34 anos.

- Perdi algum peso nos últimos meses mas ainda estou muito gordo.

- Toda vez que saio da casa dos meus pais e venho para a minha, tenho a impressão de que será a última vez que verei meu pai vivo. Ele já tá bem velho.

- Pensando seriamente em deletar esse blog e seguir apenas com o perfil só para continuar seguindo minha lista de leitura. Eu publico pouco e raramente revisito minhas postagens, mas fico com a sensação de que tenho algo para cuidar. Talvez seja melhor dar um fim também nesse pedaço da minha vida digital e seguir como mero leitor e comentarista, como eu era antes.

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Isolamento

    Um dos meus amigos se mudou e isso fez com que quase todo meu minúsculo circulo social tenha acabado. Era um amigo que puxava todos os outros de tal forma que o grupo nunca resistiria sem ele. Era ele que nos chamava para sair, ele que tinha as melhores conversas, ele que tinha os melhores lugares para ir e era ele que tinha as melhores histórias para contar.

    Mudou-se para uma cidade não tão distante, mas também não tão perto. A coisa foi esfriando devido à distância e hoje já está bem claro que nada será como antes. Vou sentir falta dos churrasquinhos nos sábados, das resenhas sobre a vida cotidiana, das maluquices do trabalho de cada um e das risadas dos filhos deles me chamando de "tio" nessas reuniões de domingo. Foi bom enquanto durou, mas acho que acabou.

    Terei saudades, mas me sinto tranquilo. O fim de uma amizade também tem suas vantagens: é o fim da preocupação com a outra pessoa. Não precisarei mais me preocupar se a pessoa está bem, se precisa da minha ajuda (mesmo que ela não me peça) e também não precisarei fingir estar legal quando não estou. Jamais diria que eu gostaria de terminar minhas amizades, mas tudo tem um lado bom e um lado ruim. Hoje, vejo que o lado ruim não é tão ruim assim.

    Creio que o que me deixa mais tranquilo para lidar com isso é que, daqui para frente, se eu não fizer novos amigos, muito provavelmente, será porque eu não quero e não porque não posso. A falta de habilidade e, principalmente, a falta de experiência faziam com que eu me sentisse uma espécie de monstro, um ser nojento e incapaz de conseguir coisas que hoje eu sei que posso conseguir, se assim eu desejar. Experiência parece ser tudo na vida de um homem e sei que ainda tenho muito o que aprender.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Coisas para lembrar que estou ficando velho

1 - Minha conta Hotmail fez 21 anos. Ainda possuo o mesmo e-mail até hoje. Saudades do MSN grupos.

2 - Há 24 anos, acompanhei a novela O Clone. É a única novela que eu acompanhei na vida por causa da trilha sonora e das imagens do deserto.

3 - Amy Winehouse morreu há 13 anos e Michael Jackson, há quase 16.

4 - Terminei minha primeira faculdade há 10 anos.

6 - O Orkut acabou há 10 anos.

7 - Stadium Arcadium, do Red Hot Chili Peppers, foi lançado há 19 anos. Eu escutei esse álbum sem parar. Pena que perdi a cópia física que tinha.

8 - Conheci minhas bandas favoritas há 15 anos.

9 - Yu Yu Hakusho teve sua primeira exibição no Brasil em 1997, na Manchete.

10 - A seleção brasileira ganhou sua última Copa do Mundo há 23 anos e eu assisti todos os jogos. Foi a primeira Copa que eu lembro de assistir e o Brasil ganhou. Na época, achei que o Brasil tinha uma espécie de hegemonia no futebol. Que engano.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Mudei o nome do blog

 De "Diário de um jovem depressivo" para "Diário de um jovem ansioso".

Acho que isso representa melhor o que escrevo aqui, porque esse é meu maior problema. Toda a visão negativa que tenho ou já tive da vida veio 100% disso ou minimamente acompanhado disso.

Daqui a alguns anos mudarei o nome de novo, "jovem" também não fará mais sentido.

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

A chuva chegou



Gostava muito de dias chuvosos quando era criança. Gostava de ir para uma área da nossa casa que tinha uma rede e ficava perto do jardim. Eu tirava a rede das paredes, sentava no chão, me enrolava todo nela e ficava observando a chuva cair. Minha mãe ficava louca, porque chuvas traziam goteiras e, como morávamos em uma região mais afastada da cidade, chuvas também traziam bichos da terra, já que a mesma ficava muito encharcada. Formigas, besouros, mosquitos, outros insetos da terra e sempre aparecia uma cobra ou outra fugindo da água.

Eu não gostava das cobras, mas gostava muito dos dias chuvosos. Eu ficava ali sentado e torcendo para a chuva não acabar tão cedo. Meus dias preferidos eram quando a chuva era fraquinha e o vento muito forte. Os pingos de chuva ficavam praticamente dançando no ar e eu, criança muito imaginativa, fingia que era neve. Nós tínhamos um bom jardim e eu gostava de ver a água escorrendo pelas plantas, o balançar dos coqueiros, a água descendo pela calha.

Pensava muito em coisas de criança enquanto estava ali: escola, meu amiguinhos da rua, meu amiguinhos que não eram da rua e eu queria estar perto, minha mãe, meu pai e videogames (os que eu queria ter). Também pensava muito na praia e como ela estaria num dia daquele. Pensava na cidade e o que as pessoas estariam fazendo nela enquanto eu estava isolado naquele bairro afastado. Pensava nos desenhos que passariam no próximo final de semana. Às vezes, me sentia entediado mesmo com aquele cenário perfeito na minha frente, mas também sabia que levantar para ir fazer outra coisa entediante não resolveria. Então eu ficava ali, admirando o tédio até a chuva parar.

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Retrospectiva 2024

Mais um ano que Jesus não voltou. Nem Jesus, nem Maomé, nem o Superman, ninguém veio nos salvar.


Coisas boas:

- Continuo empregado. Já sobrevivi a uma aquisição e duas fusões da empresa. Considero isso uma vitória, porque muita gente rodou durante esses processos e esse ano foi o pior em termos de demissões.

- Ganhei um aumento salarial. Nada muito grande, mas cobriu a inflação dos últimos anos e sobrou um pouco para mim.

- Estou lendo mais. Ano passado, li apenas dois livros. Um nem valeu, porque foi apenas uma releitura e o outro foi sobre um assunto já muito familiar para mim. Em 2024 consegui ler quatro e de assuntos realmente novos ou que eu sabia muito pouco. Eu estava com muita preguiça de ler.


Coisas ruins:

- Não consegui perder peso. Estou acima do peso há três anos e não consigo emagrecer. 

- Não foi meu ano mais ansioso, mas foi um dos mais cansativos. Acordo às 8h e, às 11h, já estou com sono. Acho que pode ser algum problema respiratório ao dormir. Vou investigar, isso tem acabado com meu rendimento no trabalho.

- Mais um ano de muitas dúvidas. Não sei exatamente o que quero para a minha vida e não consegui pensar com clareza sobre isso em 2024. Eu sei que tem coisas que preciso enfrentar, mas não quero.

terça-feira, 19 de novembro de 2024

10 anos sem rede social

    


    Lembrei que não tenho rede social desde 2014, então já me encontro afastado desse lixo há 10 anos. Percebi que realmente não faço a mínima ideia de como esses ambientes virtuais se encontram agora. Há algum tempo atrás, estava conversando com alguém que falou sobre "stories". Lembro que havia pesquisado minimamente o que era isso, mas nem reter o significado dessa palavra no contexto de uma rede social eu consegui. Hoje, ouvi alguém falar sobre isso novamente e fui pesquisar. "Stories" são fotos e vídeos postadas e que duram 24 horas. Após isso, são deletadas.

    Eu tenho WhatsApp e acabei de ver que existe uma aba chamada "Atualizações". Se você clicar ali e selecionar o contato, uma foto ou vídeo aparecem. Acabei de descobrir que esse é o tal "story" do WhatsApp. Não sabia que isso durava apenas 24 horas até porque nunca nem tinha notado essa aba de atualizações. Será que já está ali há muito tempo? Me sinto completamente por fora das redes sociais e aplicativos afins.

    O que dizem por aí que é se você não está na rede, você não existe. Parece que tá todo mundo com medo de ser invisível e de ser esquecido. Todo mundo é estimulado a compartilhar suas vidas o tempo todo e, se você não faz isso, você não está inserido nesse mundo como todo mundo. Porém, será mesmo que isso é verdade ou isso é só mais uma preocupação besta com adaptações naturais da sociedade? Pela ótica de alguém que não tem rede social há uma década, creio que sim, se você não está na internet, então você não passa de um fantasma na sociedade

    Se você pode fazer uma postagem e informar a Deus e o mundo que aquela sua promoção veio, por que você vai se dar ao trabalho de me ligar ou me mandar uma mensagem? Se você decidiu o nome do seu seu filho que vai nascer e postou na rede, por que entraria em contato comigo só para me dizer isso? Dificilmente sou informado sobre o que acontece com as pessoas ao meu redor porque todo mundo assume que todo mundo já viu e está inteirado.

    Me pego descobrindo coisas que considero interessantes sobre amigos muito depois de todo mundo porque eles já postaram no Instagram e direcionar informações especialmente para mim parece ser algo mais trabalhoso. Acho que são menos amigos meus? Não, até porque ainda tenho conversas pessoais quando dá. São simplesmente pessoas adaptadas à nova realidade e tenho quase certeza de que todo mundo hoje é assim mesmo.

    Acho que todo mundo que tem perfil em rede social é fútil e idiota? Não, acho que é uma questão de sobrevivência. Ninguém quer ficar para trás e ser esquecido. Além disso, o capitalismo é brutal. As pessoas são estimuladas a viverem dessa forma e se venderem dessa forma para que o mercado consiga lucrar com isso. É uma economia virtual, nada mais natural do que ser praticamente forçado a fazer parte disso.

    Tenho vontade de ter uma rede social novamente? Às vezes sim. Acho um pouco frustrante não saber muito bem o que alguém que gosto anda fazendo e tem gente que acha esquisito quem não está no Instagram ou não sabe quem é a tal Deolane Bezerra. Por outro lado, sei muito bem dos malefícios. Todo mundo quer parecer incrível em um ambiente desses e deve ser uma merda ficar olhando isso 24 horas por dia. Também devo dizer que, de alguma forma, eu gosto desse sentimento de invisibilidade. Se ninguém sabe o que estou fazendo, posso ser muito mais livre. Hoje, eu não sinto que "não sou ninguém" porque não estou entendendo o meme recente que o pessoal está compartilhando no trabalho. Acho que hoje eu sou muito mais da galera do "foda-se, não sei mesmo". É muito tempo de prática.

    Eu não sei se acredito em pessoas que falam que sabem usar as redes sociais de forma "consciente" mas também não tenho nada contra elas ou contra as redes em si. Cada um vive da forma que acha melhor. Enfim, ainda não entendi qual a graça de ter um conteúdo apenas por 24 horas, alguém me ajude a entender hahahahaha



terça-feira, 10 de setembro de 2024

Refletindo sobre o passado

Há algum tempo, esse blog tem virado pra mim um lugar onde venho para refletir sobre as mudanças que aconteceram na minha vida. Tem muita coisa que registrei aqui que não acredito mais e também tem coisas que nunca mudaram. Hoje, o sentimento tem sido exatamente como o dessa postagem. Lembrei que já havia deixado algumas palavras sobre esse assunto aqui.

Dias de ansiedade são sempre os dias em que eu preciso enfrentar meus medos mais ou menos inconscientes que acham um jeito de virem à tona.

terça-feira, 30 de julho de 2024

Após 7 anos, eu chorei

    Ontem eu estava assistindo um filme chamado Lady Bird e chorei durante uma determinada cena. É um filme bem premiado, mas, por algum motivo, não assisti mesmo numa época que eu era cinéfilo. Eu não chorava há mais ou menos sete anos, então fiquei surpreso e também feliz por isso ter acontecido.

    Sei que toda doença mental se manifesta com sintomas diferentes nas pessoas e, no meu caso, minha ansiedade poucas vezes me deu vontade de chorar. Na verdade, minha ansiedade me gera um incômodo incontrolável de adrenalina no corpo que reprimi qualquer vontade de chorar. Fico em um estado de alerta, ligadão. Aos poucos creio que fui desenvolvendo uma incapacidade de chorar. Eu simplesmente não choro. Fico muito triste, mas não choro. A última vez que chorei, e que consigo me lembrar, foi em 2017, durante uma crise de ansiedade que estava fazendo meus pulmões doerem.

    Gostei de chorar novamente. Já tinha até esquecido de como era colocar essa merda toda para fora. Me senti mais leve imediatamente após o episódio. Chorar é bom. O lado ruim é que talvez a cota de choro para essa década já tenha sido preenchida, então acho que agora só vou chorar quando eu tiver meus 40 anos e ficar desempregado, algo assim.


terça-feira, 30 de abril de 2024

Nostálgico na blogosfera

Não recebo mais e-mails vindos de pessoas que se deparam com esse blog, também não recebo mais muitos comentários. Acho que esse blog já deve ter desaparecido das pesquisas do Google há um bom tempo e a minha vontade de escrever também já desapareceu há um bom tempo.

Postando só por postar após ler alguns blogs que sigo até hoje. Senti uma certa nostalgia. Afinal, quem ainda está escrevendo em blog em pleno 2024? Isso aqui me lembra muito a época em que eu ainda participava de fóruns na internet, alguns mais antigos como o Clube do Hardware e outros mais novos como as comunidades do Orkut. Eu era participando muito assíduo de alguns desses espaços e, quando abro um desses blogs, sinto um certo aconchego, uma certa nostalgia.

Ando meio nostálgico e também um pouco pra baixo nas últimas semanas. Deve ser o tempo, tem chovido muito.

quinta-feira, 21 de março de 2024

Readaptações

Precisei trocar a dose de alguns medicamentos novamente e, como de costume, foram longos dias de adaptação. Os primeiros dias são sempre os mais difíceis, são sempre os piores sintomas.

Eu sinto que desde o final de 2023 não ando tão bem.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Perguntas que eu gostaria que fossem respondidas após a minha morte

- Por que a vida existe?

- Vida a partir de compostos inorgânicos é possível?

- Há vida fora da Terra? Onde ela está?

- O que, exatamente, aconteceu na minha vida para que eu me sentisse tão infeliz em determinado momento? Quando isso aconteceu? Há como explicar com exatidão cientificamente? Por exemplo, em momento X, neurônios Y e Z fizeram P conexões sinápticas que desencadearam numa depressão e ansiedade sem possibilidade de voltar 100% ao normal por razão Q?

- As teorias de multiversos são verdadeiras?

- Deus existe? Qual o nível de tédio que ele tem?

- É possível que uma máquina tenha consciência? Se sim, como? O que demonstra com 100% de certeza que um robô pode ter uma experiência subjetiva?

- Viajar para o passado é possível? Alguém, num futuro distante, já fez isso? Posso falar com essa pessoa agora?

- O que teria feito eu ser uma pessoa muito feliz?

- O ser humano vai conseguir atingir a vida eterna?

domingo, 31 de dezembro de 2023

Retrospectiva 2023

 - Estou estável financeiramente, porém, ainda estou um pouco aquém de como acho que deveria estar. Gastos com meus pais estão cada vez mais altos.

- Um ano morando sozinho. A independência é uma das melhores coisas que o homem pode ter.

- 2023 foi, sem dúvidas, um ano que tive muitas crises. Tive muito mais crises do que nos anos anteriores e de forma menos espaçada. 

- Mesmo fazendo exercícios regularmente, não consigo mais emagrecer. Preciso fechar a boca, mas é difícil.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Um ano morando sozinho

     Já se passou um ano desde que saí da casa dos meus pais e comecei a morar sozinho definitivamente. Digo "definitivamente" porque cheguei a fazer isso por alguns meses, em algumas ocasiões, mas nada definitivo. Pois bem, aqui estou eu, no meu "escritório", na minha cadeira, comendo a comida que eu fiz. O que eu tenho achado disso? Acho que isso veio com bastante atraso.

    Eu gosto muito de morar sozinho. Gosto de ter liberdade para fazer tudo o que quero, andar e me vestir da maneira que acho melhor, de não ser acordado ao som de vassouras batendo nos móveis e, acima de tudo, de me sentir um ser que não é um peso morto para as pessoas. Ser independente me dá mais ânimo para viver, isso é nítido para mim.

    Além disso, hoje tenho a plena certeza de que minha família teria tido uma história muito melhor se meus país tivessem se divorciado ao invés de levarem um casamento ruim. A vida conturbada do relacionamento dos meus pais acabou afetando (e muito!) minha vida e a vida dos meus irmãos. A maioria de nós já é independente, vive a própria vida e isso só melhorou nossos vínculos. No final das contas, o que nós precisávamos era de espaço. Precisávamos de espaço para sarar algumas feridas, repensar algumas coisas que aconteceram nas últimas décadas e sermos um pouco mais "nós mesmos". Acho que ser independente, e saber que o outro também é, faz com que a relação familiar seja mais amistosa. As pessoas ficam mais próximas porque assim desejam e não porque há uma relação de dependência.

    Enfim, comecei falando sobre morar sozinho e acabei falando somente sobre como é bom ficar fisicamente longe da minha família. Acho que os desafios de morar sozinho ficam para uma outra hora.

segunda-feira, 15 de maio de 2023

Quase 9 anos de blog

    Recentemente, conversando com alguém, me dei conta de que já se vão quase nove anos de existência desse blog. A existência dele não tem a menor importância, visto que uma parcela mínima da internet já passou por aqui e minhas postagens não contribuem com nada, é só que tirei um tempo para reler várias delas, de 2014 até hoje. É muito tempo, há nove anos atrás eu ainda era um jovenzinho confuso. Continuo confuso? Sim, mas estou melhor. 

    É interessante, muita gente tem diários onde escrevem suas atividades cotidianas como forma de terapia. Meu intuito com esse blog foi mais ou menos esse mesmo, a diferença é que aqui eu posso receber comentários de outras pessoas tão ou mais confusas do que eu. Nunca escrevi aqui com muita constância e, inclusive, no ano de 2022, só escrevi aqui duas vezes. Interessante que até isso revela um pouco da minha vida. Nos anos que mais estive na pior, postei mais. Nos anos que estive numa melhor, que foram esses últimos dois, postei menos.

    Relendo as postagens, posso dizer que, de fato, minha vida dos últimos nove anos está aqui. Boa parte das vezes que mais desejei morrer estão aqui, algumas das vezes que mais desejei viver também estão aqui e algumas ds vezes que eu não sabia o que queria também estão aqui. Vou até ver se o Blogger tem alguma maneira de salvar essas postagens, talvez daqui a nove anos eu comente mais alguma coisa sobre essa montanha-russa.

Saí com uma mulher que não tem redes sociais

     Encontrei no Tinder, claro.      Conversa vai, conversa vem, ela acha que eu sou um psicopata e eu acho que ela é um fake. Marcamos de ...